Lição 01 – Paulo, apóstolo dos gentios

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Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Terceiro Trimestre de 2017

Tema geral do trimestre: O evangelho em Gálatas

Lição 01 – Paulo, apóstolo dos gentios

Semana de 24 de junho a 1º de julho

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário complementa o estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

Verso para memorizar:Ouvindo isso, não apresentaram mais objeções e louvaram a DEUS, dizendo: ‘Então, DEUS concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios!’” (Atos 11:18, NVI).

 

Introdução de sábado à tarde

Saulo submergiu profundamente na lógica da ideologia nacionalista judaica. Os grandes líderes judaicos, os mestres, os sacerdotes, os líderes de grupos específicos, etc., esperavam um rei. Fazia tempo que não tinham rei, desde que Nabucodonosor os subverteu. Nunca mais tiveram independência política, e isso já há mais de cinco séculos. No momento, pós JESUS CRISTO, eram submissos ao Império Romano. Era evidente que, para terem independência política, teriam que subjugar o Império Romano, logo, teria que vir um rei que fosse poderoso, influente, soubesse fazer alianças estratégicas e fosse um grande estrategista militar. Esperavam um enviado do Céu que tivesse essas características. Evidentemente deveria nascer em um lar de descendentes de Davi, como foi o caso de JESUS, mas quem ali saberia que José era descendente de Davi? Deveria ser num lar de gente influente e poderosa, com relações profundas com o poder político e religioso da nação, e José era apenas um carpinteiro, muito embora, se permanecesse o sistema de rei em Judá, ele seria o rei naqueles dias. Evidentemente, José não seria, nesse caso, tão pobre.

JESUS: Sua vinda foi uma frustração aos grandes líderes, lógico, quando Se anunciou como Messias, justo em Sua Terra onde havia crescido, Nazaré. Como Ele mesmo disse, “não há profeta com honra em sua terra”.

Saulo, participante da elite das famílias ricas de Judá, que fora qualificado no conhecimento pelo rabino Gamaliel, o mais famoso naqueles dias, fora educado na ideologia da necessidade de vir um rei poderoso para os libertar do jugo romano. JESUS de Nazaré jamais se encaixaria em alguém assim. Na visão desses que aguardavam um Messias político, JESUS teria sido um retumbante fracasso. Começou influenciando as massas e terminou morto pendurado numa cruz, a morte mais humilhante imaginável. E segundo esses líderes, um grupo de fanáticos seguidores de JESUS continuava a palhaçada dizendo que Ele havia ressuscitado, se bem que tiveram o testemunho dos soldados, neutros nessa história, e que faziam parte do exército que O havia crucificado. Mesmo assim, nem mesmo assim creram. Com essa lógica e com esses pensamentos dominando sua mente, assim como a de todos os líderes políticos e religiosos da época, Saulo empenhou-se intensamente em erradicar a tal seita de fanáticos incapazes de entender a realidade. No auge de seu empenho ele mudou de ideia e passou para o lado de JESUS, não só como seguidor, mas ao nível de mais um apóstolo. Como diriam hoje, uma mudança de 180 graus. Ele mesmo começou, desde logo, a colher as consequências de sua decisão. Assim que deixou de perseguir, passou a ser perseguido. “Enquanto continuava a apelar a seus assombrados ouvintes para “que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento”, (Atos 26:20), Saulo “se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Aquele era o Cristo”. Muitos, porém, endureceram o coração, recusando-se a atender a sua mensagem; e logo o espanto deles pela sua conversão foi mudado em ódio intenso, semelhante ao que haviam mostrado para com Jesus” (Atos dos Apóstolos, 125).

 

  1. Primeiro dia: Perseguidor dos cristãos

Analisemos hoje o episódio do apedrejamento de Estêvão, o primeiro mártir depois de JESUS, e cuja morte sela o tempo de graça ao povo judeu, terminando nesse dia os 490 anos para que eles, como povo, como nação, se arrependessem. Pelo contrário, eles não só não se arrependeram como, com Saulo, mataram um fiel servo e seguidor do Messias, o Salvador dos judeus e do mundo. Esse mesmo Saulo, que participou da morte de Estevão, portanto, que participou, como judeu, do encerramento daqueles 490 anos de oportunidade, veio a ser um dos maiores, senão o maior defensor de JESUS. Isso que é um tição tirado do fogo de satanás, ou seja, alguém sob intenso controle por parte de satanás para combater JESUS CRISTO, veio a ser outra pessoa, sob intenso controle desse que ele combatia, bem como seus seguidores.

Estêvão era um dos sete primeiros diáconos escolhidos pelos apóstolos para ajudar no trabalho na igreja. Ele destacava-se, pois também tornou-se um pregador, um mestre do povo, e alguém com grande capacidade de didática, persuasivo e de grande conhecimento. Membros leigos que se destacam pela sua capacidade intelectual facilmente tornam-se alvo da inveja e da oposição, assim foi em todos os tempos. Isso já aconteceu com JESUS, que nunca estudou em alguma escola dos profetas e muito menos foi instruído pelos rabinos (se fosse, poderiam ter deformado a lógica de sua mente).

Esse diácono, fervoroso, destacando-se em tudo o que fazia, e especialmente pela Sua capacidade poderosa de ensinar sobre JESUS como Messias, incomodava os líderes judaicos (sacerdotes, fariseus e saduceus, principalmente esses), que queriam que o povo esquecesse esse nome. Era para, em algum tempo, digamos alguns anos, que o nome de JESUS não fosse mais tratado como Messias. Porém acontecia o contrário, cada vez se levantavam mais pregadores que anunciavam JESUS como o Salvador, que já teria vindo e que voltaria outra vez. Isso irritava os líderes dos judeus.

Estêvão ensinava o óbvio. O templo, isto é, o prédio, não era mais importante que o Senhor do templo, ou seja, aquele que deu as instruções a Moisés para construir o templo. E muito menos ele defendia as tradições dos líderes judaicos, as leis que eles elaboraram, e que JESUS menosprezou como de menor importância, e muitas dessas leis, absolutamente inúteis.

Ou seja, segundo a visão desses líderes do povo, Estêvão estava posicionado contra o Templo e contra as tradições dos anciãos, e isso era gravíssimo. Até disso haviam acusado a JESUS. Saulo, em seu profundo zelo, mas um zelo equivocado, querendo defender DEUS, partiu para atos radicais, entendendo que, do mesmo modo como entenderam aqueles líderes em relação a JESUS, que se matassem todos que menosprezavam o Templo e as tradições dos anciãos.

Saulo, que significava Saul, e que se acredita ser uns 10 anos mais moço que JESUS, nascera em Tarso, na Turquia, por volta do ano 10 dC. Paulo significa em latim, baixo ou curto. Ele é judeu filho da tribo de Benjamim. Era cidadão Romano, foi criado pelos fariseus em Tarso, estudou a lei judaica, grego e latim, e na juventude aprendeu a fazer tendas. Depois foi enviado para Jerusalém, provavelmente morando com uma irmã sua, tendo como professor o famoso Rabino Gamaliel, também fariseu, e com este tornou-se especialista na Torah. Saulo era uma pessoa difícil de lidar. Era duro de coração e insensível com a dor alheia (Atos 8:1).  É desta maneira que Saulo, com todas as características descritas acima, tem sua primeira aparição na história cristã registrada em Atos 7:58.

Tornou-se perseguidor até que JESUS foi encontrar-Se com ele, Saulo, no caminho de Damasco, 250 km entre Jerusalém até lá, quando ia para lá fazer o mesmo que já fez em Jerusalém, ou seja, matar mais alguns. Em vez de matar, ele acabou indo para lá para iniciar a pregação sobre JESUS como o Messias. Perto de Damasco foi o encontro de JESUS com Saulo. Como já havia afirmado no início do texto de hoje, Saulo foi o que participou do ato de finalização do tempo de 490 anos de graça para o povo judeu, e, ao mesmo tempo, ele foi também que, ato contínuo, tornou-se, ao lado de alguns outros, um dos maiores defensores de JESUS, inclusive com o custo de sua vida. Ele deu início aos 1810 anos dados aos gentios.

Esse é um grande testemunho em favor da veracidade do relato bíblico sobre a vida, morte e ressurreição de JESUS. Quem faria uma coisa dessas, uma mudança de vida radical, como Saulo, se não estivesse convencido da veracidade da história sobre JESUS? Saulo, ou Paulo, escreveria 13 dos 27 livros do Novo Testamento, se não cresse de fato em JESUS?

 

  1. Segunda: A conversão de Saulo

Depois de Estêvão ser morto, Saulo tomou a dianteira em perseguir os seguidores de JESUS. Entrava numa casa após outra, arrastando-os para fora e encarcerando-os. Era cruel e truculento. Metia medo entre os seguidores de JESUS, pois maltratava sem piedade. Sua intenção era erradicar a nova fé, ou o que parecia ser uma nova fé. Por isso muitos dos discípulos fugiram para outras cidades e passaram a proclamar ali as “boas novas”. O que Saulo conseguia com sua duríssima perseguição era apenas forçar a expansão da pregação do evangelho, especialmente aos gentios, conforme a profecia de Daniel. Enquanto ele perseguia, na verdade contribuía com o impulso da pregação do evangelho de JESUS, porém, após sua conversão, fez a mesma coisa, no entanto, do lado correto. A pergunta que cabe aqui é: como combater a DEUS e ser bem-sucedido? Com seu afã em eliminar esse tipo de crentes, Saulo foi a outras cidades para procurar os seguidores de JESUS. Ele foi a Damasco. Essa cidade distava 250 km de Jerusalém e isso dá uma ideia do quanto ele se tornou determinado em perseguir, não apenas nos arredores de Jerusalém e não apenas em Judá; ia a nações estrangeiras, onde fosse necessário.

Naqueles dias, podemos dizer assim: Saulo era o inimigo número um de JESUS!

Porém, estando ele perto de Damasco, já entusiasmado com seu grupo para causar ali, não um grande estrago, mas exterminar todos os novos crentes, especialmente aqueles que haviam fugido de Jerusalém e ali fundaram uma igreja ou sinagoga, algo extraordinário aconteceu. Uma forte luz surgiu, ele ficou cego e caiu de sua montaria ao chão. Literalmente, como se diz, “caiu do cavalo”. “E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (Atos 9:4-5, negritos acrescentados).

Recalcitrar quer dizer resistir, não ceder, obstinar-se em fazer o contrário ao correto. JESUS ali lhe dizia que não adiantava resistir a quem era mais forte e maior que ele! Outra vez a pergunta: como combater a DEUS e obter êxito?

Pelo significado das palavras “recalcitrar” e “aguilhão”, podemos entender que “recalcitrar contra o aguilhão” é resistir, insubordinar-se (recalcitrar) à Palavra de Deus que exorta e guia (aguilhão) a uma vida reta.

Aguilhão é uma ponta de ferro fixada numa vara que serve para cutucar os bois e guiá-los corretamente no lavrar a terra. Os escorpiões e as arraias também têm aguilhões ou ferrões em sua defesa e ataque. O que JESUS estava dizendo a Saulo era que ele já havia recebido suficiente conhecimento sobre o evangelho e que já deveria ter tomado a decisão correta, porém, continuava obstinado em sentido contrário ao que ele mesmo já sabia, perseguindo a JESUS e Seus seguidores. E que isso seria bem duro para ele, se continuasse nesse caminho. Assim ele apenas conseguiria alcançar o inferno e a morte eterna.

Essa é uma história apropriada a nós todos. Quem estiver fazendo, o que quer que seja, para perturbar a obra, para introduzir maus costumes na igreja, e coisas assim, está do lado de Saulo antes de sua queda. “No relato da conversão de Saulo, encontramos importantes princípios que devemos sempre ter em mente. Saulo foi levado diretamente à presença de Cristo. Foi uma pessoa designada por Cristo para uma importantíssima obra, alguém que devia ser “um vaso escolhido” (Atos 9:15), para Ele; no entanto o Senhor não lhe disse imediatamente qual a obra para ele designada. Embargou-lhe o caminho e convenceu-o do pecado; e quando Saulo perguntou: “Que queres que faça?” (Atos 9:6) o Salvador colocou o indagador judeu em contato com Sua igreja, para que obtivesse o conhecimento da vontade de Deus em relação a ele” (Atos dos Apóstolos, 120).

 

  1. Terça: Saulo em Damasco

DEUS certamente já pensava em destinar Saulo a pregar aos gentios. E ironicamente, esse homem foi a um lugar de gentios, Damasco, para perseguir os cristãos, e na realidade, acabou indo para dali partir a pregar aos gentios. A história daria um excelente filme global. Ele era cego espiritualmente, e quando ocorreu o início da visão espiritual, tornou-se cego fisicamente, por três dias.

Vamos imaginar as situações. Saulo viajava, certo de que estava fazendo o correto. Estava feliz por ter o privilégio de defender a DEUS, e raivoso ao mesmo tempo, tinha que combater as tremendas heresias que se espalhavam em território cada vez maior. Aproximando-se de Damasco, ele e seus auxiliares, certamente sentiam as emoções que iriam passar, quando, repentinamente uma tremenda luz do céu derruba exatamente Saulo, e uma voz indaga porque estava perseguindo a JESUS, a voz que falava. Os amigos de Saulo perceberam que algo muito grave estava ocorrendo. Saulo pergunta quem era, e a voz responde que era JESUS. “Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer” (Atos 9:5,6).

Saulo, já perto de Damasco, teve que ser guiado até lá. Hospedou-se na casa de um homem chamado Judas, e ali ficou três dias orando, sem comer nem beber. Esse Judas era um dos que, certamente iria prender, mas agora, se hospedou com ele. DEUS instruiu Ananias (outro que Saulo prenderia) para que fosse a Saulo dar instruções a ele, além de resolver a cegueira. Ananias, como todos os cristãos, teve medo de comparecer diante de Saulo, mas, o que lhe iria fazer um homem cego e faminto por três dias de jejum, e pior, por três dias sem nada beber? Devia estar extremamente fraco. “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. E Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo Meu nome. E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo” (Atos 9:15-17).

E o perseguidor fez o que lá em Damasco? Aquele que queria eliminar o nome de JESUS CRISTO do povo, agora defendia que esse mesmo era o Messias. O relato bíblico é impressionante: “E, tendo comido, ficou confortado. E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco. E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus. E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes? Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo” (Atos 9:19-22).

Não demorou muito, o perseguidor passou a ser mais um perseguido pelos judeus, anteriormente amigos dele. Esse foi um caso parecido ao da Idade Média, se bem que nesta foi pior, cristãos perseguindo cristãos.

 

  1. Quarta: O evangelho vai aos gentios

Toda a raça humana descende de um casal criado à imagem e semelhança de Deus (Gên 1:27; 5.2; Marc 10:6; Atos 17:25,26). DEUS, não faz acepção de pessoas (Deut 10:17; Atos 10:34; Rom 2:11; Efésios 6:9). Ele ama a todos indistintamente e deseja a salvação de toda a humanidade (João 3:16; Atos 17:30,31; Rom 1.16; Tito 2:11), através de Seu Filho, Jesus (Mat 1:21; Atos 4:12; Rom 3:24; 2 Col 5:18).

Mais tarde, uns dois mil anos após a queda de Adão e Eva, quando DEUS escolheu Abraão para dele fazer uma nação, não excluiu as demais nações como condenadas e desprezíveis. Era para Israel ser uma influência sobre as outras nações afim de torná-las também povo de DEUS, e, no caso de extrema rebeldia, destruir essas nações. Essas nações são conhecidas pela idolatria, depravação (Lev 18:22-24), e perversidade com que tratavam os seus filhos (Lev 18:21; 20:2-5). A nação de Israel não fora apenas eleita para ser o instrumento pelo qual o Senhor alcançaria os gentios que respondessem positivamente à salvação oferecida pelo DEUS de Israel (Gên 12:3; 22.16-18; Sal 67:2-4), mas também o povo pelo qual o Eterno destruiria os gentios rebeldes (Gên 12:3; 15.16; ver Deut 7 – 8; Gal 3:8).

O que aconteceu na realidade? O povo de DEUS se autoproclamou como uma elite especial de DEUS na Terra, e os outros povos foram considerados não só inferiores como desprezíveis. Milênios depois, Hitler faria algo parecido, elegendo o povo de origem ariana como raça superior… Os judeus nem mesmo entravam na casa de um estrangeiro. Aliás, essa foi uma das causas de desavença entre os líderes judaicos e JESUS, pois Ele entrava em toda e qualquer casa. Curiosa essa ideia de ser elite pois, as outras nações eram independentes e tinham rei próprio, e Judá não tinha, era há séculos subjugado de Roma, da Grécia, da Medo Pérsia e até de Babilônia.

Chegava a hora de levar o evangelho aos chamados gentios (os não descendentes de Abraão, mas ironicamente, descendentes de Adão e Eva). Paulo esteve entre os primeiros a fazer isso. Pedro foi outro a iniciar essa pregação. Barnabé também esteve entre os evangelistas aos gentios e convidou Paulo para ir com ele a Antioquia, pregar por lá, o que foi prontamente aceito. Isso parece que foi uns 5 anos depois da conversão de Saulo (Paulo). A igreja nessa cidade foi bem sucedida, e de lá, como era uma cidade cosmopolita, dali se irradiou o evangelho a outros lugares. Membros saíam de lá indo para outros lugares e vinham pessoas de outros lugares para Antioquia.

Antioquia era uma importante cidade da Síria. Foi uma cidade antiga erguida na margem esquerda do rio Orontes; é a moderna Antáquia, na Turquia. Atualmente ali há um sítio arqueológico. Foi fundada nos finais do século IV a.C. por Seleuco I, que a tornou a capital do seu império. Seleuco servira como um dos generais de Alexandre III da Macedônia, e o nome Antíoco ocorria frequentemente entre membros da sua família. Antioquia ocupa um importante lugar na história do cristianismo. Foi onde Paulo de Tarso provavelmente pregou o seu primeiro sermão (numa sinagoga), e foi também onde os seguidores de JESUS foram chamados pela primeira vez de cristãos (Atos 11:26).

Flávio Josefo descreve Antioquia como sendo a terceira maior cidade do império e do mundo, com uma população estimada em mais de meio milhão de habitantes, depois de Roma e Alexandria. Cresceu a ponto de se tornar o principal centro comercial e industrial da Síria. Era considerada como a porta para o Oriente. Júlio César, Augusto e Tibério utilizavam-na como centro de operações. Era também chamada de “Antioquia, a bela”, “rainha do Oriente”, devido as riquezas romanas que a embelezavam, desde a estética grega até o luxo oriental. Isso revela que a igreja deve valer-se de grandes centros urbanos para evangelização.

 

  1. Quinta: Conflitos dentro da igreja

Como escreve o autor da lição, onde tem seres humanos tem problemas. Basta olhar os noticiários. Veja-se o caso da Síria, quanta destruição, ou, em outras palavras, quanta falta de inteligência. Por diferenças ideológicas, destroem tudo, e as mulheres, crianças, idosos, homens, que se danem. Se passam fome, não interessa. Onde há dois seres humanos há também a possibilidade de discordância e a incapacidade de acordo, basta um não querer ou ser obstinado.

Assim foi no início da igreja. Quando começaram as pregações aos gentios, judeus discordavam que se convertessem os de fora. Quando o próprio DEUS demonstrou que se devesse alcançar essas pessoas, quando isso ficou provado sem que se pudesse discutir, e esse foi o caso do sonho do lençol de animais imundos que Pedro teve, bem como Cornélio e os seus que também falaram em línguas diferentes como demonstração que DEUS aprovava a conversão deles, outras contestações apareceram. Já não se opunham à conversão dos gentios, mas exigiam que eles passassem pelo ritual que foi anulado na cruz: circuncisão e a obediência à lei cerimonial de Moisés.

A lei cerimonial, a dos sacrifícios, apontava para JESUS, que Se tornaria o verdadeiro e definitivo sacrifício em favor dos seres humanos. A circuncisão masculina foi uma cerimônia ordenada por DEUS a Abraão e seus descendentes como sinal da aliança estabelecida entre o Senhor e o povo escolhido. “O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações” (Gên 17:12). A circuncisão mostrava que aquela criança fazia parte da aliança de DEUS feita com o povo de Israel, e quando adulto, já o corte na carne era menos importante que a fidelidade à DEUS. Era necessário obediência às leis do Senhor para que, efetivamente, a circuncisão tivesse realmente valor. Valia para todo ser humano que de alguma forma viesse a fazer parte do povo de DEUS, inclusive escravos, “todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua” (Gên 17: 12-13). No Novo Testamento, o termo, porém, ganha um significado mais profundo nas cartas de Paulo, onde ele introduz o conceito de “circuncisão do coração”, que significa uma conversão genuína, baseada na fé e na obediência a JESUS CRISTO. DEUS não requer mais de nós um sinal feito na carne, mas sim um sinal feito no nosso coração. “Pelo contrário, o verdadeiro judeu é aquele que é judeu por dentro, aquele que tem o coração circuncidado; e isso é uma coisa que o Espírito de DEUS faz e que a lei escrita não pode fazer…” (Rom 2: 29).

Então, a cruz é um divisor de águas. Dela em diante, a lei de Moisés, que é a lei cerimonial, e que ficava do lado de fora da arca, passou a não valer mais. E a circuncisão continuava, porém, não com corte na carne, e sim, na firme determinação de seguir JESUS e sua lei. E mais um detalhe, depois da cruz, o conceito de circuncisão não valia mais a partir de uma criança de oito dias, masculina, e sim, a partir de quando a pessoa pudesse entender a verdade, e não só uma pessoa masculina, mas também as pessoas do sexo feminino. Ou seja, passou a valer o conceito de circuncisão espiritual, no coração, não mais na carne. Era isso que Paulo ensinava, e teve sérios problemas, pois era o mais enfático, pois todos os apóstolos ensinavam o mesmo.

 

  1. Resumo e aplicação Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal

Porque JESUS CRISTO Se encontrou com Saulo e não com muitos outros, para fazer mudar o rumo dos esforços das pessoas? JESUS conhece as mentes das pessoas e sabe o que cada um decidirá quanto ao seu futuro. Algumas pessoas, são poucas, mudam de ideia quando descobrem que estão erradas, a maioria, nesse caso, resiste e endurece sua posição. Saul foi uma pessoa que endurecia o coração, Davi foi o contrário, se arrependia imediatamente de seu erro. Saulo foi uma pessoa extremamente determinada no que fazia, investia empenho, e era sincero. No caso, estava sinceramente errado, mas quando descobriu que estava fazendo algo errado, imediatamente fez uma pergunta sincera: “Senhor, que queres que eu faça?” Por essa disposição JESUS já esperava, conhecia Saulo, e o direcionou para o lugar certo.

 

  1. Aplicação contextual e problematização

Um dos grandes problemas de todos nós, um dos maiores problemas, é que tendemos a ser orgulhosos ou arrogantes. Quando descobrimos que estamos errados em nossa opinião, temos a tendência de procurar explicações para justificar o erro e qualificar como algo correto. Por esse caminho que Lúcifer se tornou satanás.

 

  1. Informe profético vinculado com a lição

O presidente americano, Donald Trump, um protestante presbiteriano, e sua terceira esposa, católica, visitaram o papa no dia 24 de maio de 2017. A visita foi tensa, especialmente no início, porque Trump e o papa tem muitas discordâncias entre si. O papa apelou pela paz no mundo, para que o presidente trabalhasse nessa direção. O apelo pela paz é uma necessidade premente em um mundo onde a vontade de destruir e matar só aumenta. Leia mais: aqui.

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“A conversão de Saulo é notável evidência do miraculoso poder do Espírito Santo para convencer os homens do pecado. Ele havia crido que de fato Jesus de Nazaré havia desconsiderado a lei de Deus, ensinando aos Seus discípulos ser a mesma de nenhum valor. Mas depois de sua conversão, Saulo tinha reconhecido Jesus de Nazaré como Aquele que viera ao mundo com o propósito expresso de defender a lei de Seu Pai. Estava convencido de que Jesus fora o originador de todo o sistema judaico de sacrifícios. Viu que o tipo da crucificação tinha encontrado o antítipo; que Jesus havia cumprido as profecias do Antigo Testamento, concernentes ao Redentor de Israel” (Atos dos Apóstolos, 120).

 

  1. Conclusão

“Enquanto continuava a apelar a seus assombrados ouvintes para “que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento”, (Atos 26:20), Saulo “se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Aquele era o Cristo”. Muitos, porém, endureceram o coração, recusando-se a atender a sua mensagem; e logo o espanto deles pela sua conversão foi mudado em ódio intenso, semelhante ao que haviam mostrado para com Jesus” (Atos dos Apóstolos, 125).

 

 

Assista o comentário clicando aqui.

Lição em espanhol: www.escuela-sabatica.com/comentarios.html

Vídeos sobre capítulos proféticos da Bíblia, em linguagem simples
Daniel 2 Daniel 3 Daniel 7 Daniel 8 Daniel 9 Daniel 12 Apoc. 12
Apoc. 13 1ªp Apoc. 13 2ªp Apoc. 14 Pragas 1ª p

(Apoc. 15, 16)

Pragas 2ªp Armagedom Pragas 3ªp

Armagedom

Os chifres
A igreja verdadeira Como é fácil enganar! As 4 primeiras pragas, enfoque econômico

 

 

estudado e escrito entre   19 e 25/05/2017

revisado por Jair Bezerra

 

 

 

 

Declaração do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

3 comments for “Lição 01 – Paulo, apóstolo dos gentios

  1. Afonso Gonzalez da Silva
    junho 25, 2017 at 7:44 am

    Bom dia irmão
    Quero agradecer pelos comentários que o disponibiliza em seu site.Ajudam bastante pela forma como são apresentados. Tenho orado para que o Senhor continue abençoando seu ministério, sua vida e seus familiares.
    Louvado seja o Senhor.

  2. Waldir costa
    junho 28, 2017 at 6:06 am

    Li que Saulo caiu do cavalo. Mas a Bíblia não descreve este detalhe. De onde vem esta informação?Obrigado

  3. Castigo Mário Buhuro
    julho 1, 2017 at 1:43 am

    Grato pela lição!

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