Lição 02 – O conflito

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Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Quarto Trimestre de 2017

Tema geral do trimestre: Salvação somente pela fé: o livro de Romanos

Lição 02 – O conflito

Semana de 7 a 14 de outubro

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário complementa o estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

Verso para memorizar:A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de JESUS CRISTO” (João 1:17).

 

Introdução de sábado à tarde

Formou-se um conflito entre os cristãos judeus e os cristãos gentios. Não eram os cristãos gentios que criavam problemas, mas os judeus. Esses possuíam uma tradição e um código de leis cerimoniais que, depois de milênios, muitos séculos, se haviam impregnado nos costumes deles, e tinham esse conjunto de cerimônias como algo sagrado que deveria ser praticado por todos.

Por outro lado, entendiam que para pertencer ao povo de DEUS deveriam os gentios tornarem-se judeus, por uma espécie de adoção, a circuncisão (que assunto repetitivo nas lições desse ano!). Então, passaram a exigir dos gentios convertidos que se tornassem judeus, como descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, os patriarcas. Entendiam assim e estavam convencidos disso, ou esses novos cristãos não se salvariam. Essas pessoas estavam tão convencidas disso que, mesmo após a decisão tomada no Concílio de Jerusalém, ainda assim, não confiando nessa reunião, continuavam a batalhar pela preservação das tradições e da circuncisão para os gentios convertidos. Isso, como já estudamos com dedicação nas lições de Paulo aos gálatas, criou mal-estar na igreja e redirecionou os convertidos a um caminho de perdição porque passaram a confiar na circuncisão como modo de salvação em lugar da fé e da graça.

Esse concílio ocorreu por volta do ano 48 dC, depois do episódio de Antioquia, em que Pedro estava presente, e houve uma tremenda polêmica sobre gentios conviverem com judeus. Cada vez mais os judeus exigiam que os gentios que se convertessem fossem circuncidados. A circuncisão foi substituída pelo batismo, conforme Colossenses: “No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de CRISTO; sepultados com Ele no batismo, nEle também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dentre os mortos” (Col 2:11-12). Ler ainda os versos 13 a 15.

O verso acima diz que há um status de poder para a salvação diferente, entre a lei e a graça. Não diz que os Dez Mandamentos não têm mais valor, afinal, é a lei moral, mas diz que, para que sejamos salvos, isso não é com a lei, e sim, com a graça de JESUS. A lei e a graça vieram da mesma origem, mas a função da lei é orientar a conduta e condenar quem desobedece e a graça é para perdoar quem desobedeceu a lei, e, portanto, salvar. Também isso está sendo repetitivo nesse ano de 2017. Didaticamente, repetir demais um assunto não é favorável à aprendizagem, a mente passa a cansar do assunto, atestam os estudos de andragogia.

 

  1. Primeiro dia: Uma aliança superior

Um apelo para o estudo da lição de hoje, a todos. Estudem com dedicação esta lição. Leiam este e outros comentários sobre este dia de estudo. Ele é importantíssimo.

A grande questão do estudo de hoje é que os judeus levaram tempo para se acostumar com a liberdade em CRISTO depois da saída da escravidão do Egito. Eles dependiam do látego, das ordens, da imposição, do trabalho forçado, e não foi tão logo para se acostumarem a seguir um DEUS que não agia assim, mas que reinava por meio do amor. Com a morte de JESUS, outra vez os judeus levaram tempo para se acostumar com a abolição da lei cerimonial, das tradições que eles mesmos inventaram, de mais de um milênio fazendo sacrifícios e seguindo rituais que, repentinamente, assim como a liberdade do Egito foi repentina, lhes fez livres dos rituais. Assim ainda hoje, é difícil para quase todas as igrejas entenderem que os Dez Mandamentos não caíram junto com a lei cerimonial, e que o sábado, instituído no Paraíso, na perfeição, que DEUS mesmo deu exemplo de como santificar, continua valendo, e que posto de lado foi o cerimonialismo que apontava para a primeira vinda do Messias. Mudanças nem sempre são fáceis de serem assimiladas, isso entre o povo de DEUS, na igreja como nas empresas. Curioso é que mudanças para pior acontecem facilmente e recebem adesão quase sem resistência.

Em Hebreus Paulo explica a superioridade da segunda aliança. Na realidade essa superioridade se baseia no cumprimento do previsto na primeira aliança, sempre recordando que a chamada primeira aliança está retratada pela Lei Cerimonial e a segunda pela graça, contudo, já havia graça prevista na Lei Cerimonial. Escreveu Paulo: “mas agora alcançou Ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas” (Hebreus 8:6). Ou seja, o que tem de melhor nessa nova aliança é a vinda do Cordeiro de DEUS, JESUS CRISTO, o Messias, o próprio Salvador. Isso que é superior porque é eficaz. Cordeiros eram apenas animais para prefigurar o verdadeiro sacrifício, definitivo e resolutivo. E é eficaz porque é por meio da morte de JESUS que somos salvos, nem poderíamos ser salvos por meio de cordeiros. Ele, JESUS, foi morto sendo justo, a fim de que nós, não sendo justos, pudéssemos escapar da morte eterna. A vitória sobre a morte eterna que Ele conquistou na cruz nos oferece perdão de graça, pois de fato, não merecemos esse presente. Nos oferece porque nos ama. Isso é a graça, como a palavra diz, não custa nada. Em outras palavras, a vitória de JESUS, carregando nossos pecados e não os dEle, pois não os possuía, foi a nós imputada (como gostam de dizer os teólogos). Aqui imputar significa atribuir, ou conceder, fornecer, doar ou mesmo, presentear. DEUS nos presenteia com a vida eterna se tão somente tivermos fé em JESUS. E isso é uma aliança superior. A rigor, não é alguma nova aliança, mas a aliança de sempre. O que é novo é o fato de ter-se cumprida a vitória de JESUS na cruz e ter-se tornada realidade o que estava previsto na Antiga Aliança. Mas tudo estava previsto na Antiga Aliança.

Voltemos a um ponto já destacado acima, a questão da anulação dos Dez Mandamentos. O centro desses mandamentos, chamados de Lei Moral porque orienta a conduta dos seres humanos (e não cerimoniais de sacrifícios), é o sábado. Este foi instituído por DEUS no Éden, quando ainda não havia pecado, isto é, na perfeição. Logo, o sábado é uma instituição perfeita, assim como o casamento também é. Ora, se o sábado fosse mudado para o domingo, ele, lá no Éden não seria perfeito, e nem tudo o que DEUS havia criado seria bom. Portanto, quem santifica o domingo está, com isto, a afirmar que DEUS não é perfeito; enfim, criara uma instituição que deveria mais tarde ser substituída. Acontece que o próprio DEUS guardara o sábado, como exemplo e como princípio. Sem falar que o sábado é o selo da criação de DEUS.

A lição destaca alguns versos, dentre outros, que deixam claramente a entender que, ao menos da parte de DEUS, jamais houve alguma intenção de mudança na Lei Moral, nos Dez Mandamentos, muito menos no quarto mandamento. Ou será que poderíamos admitir que, por causa de um decreto de um imperador aqui na Terra e porque a igreja aderiu a esse decreto, DEUS, lá no Céu tivesse que aceitar e Ele mesmo alterar Seus mandamentos e Ele também santificar o domingo? É possível admitir tal coisa? Se sim, então, que DEUS é esse que até os homens dominam sobre Ele? Nesse caso, também esses homens poderiam providenciar, por exemplo, por meio da ciência, a vida eterna, e identicamente, resolver todos os problemas da humanidade, e até superar a condição da pecaminosidade.

Pois bem, pelo sim, pelo não, vejamos esses versos que o autor da lição destacou, e atente-se bem para as partes que sublinhamos:

“E Ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é DEUS. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mateus 19:17).

“E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de DEUS, e têm o testemunho de JESUS CRISTO” (Apocalipse 12:17).

“Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de DEUS e a fé em JESUS” (Apocalipse 14:12).

“Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei” (Tiago 2:10,11).

Quem pode argumentar a favor da inutilidade de mandamentos como “não matar”, “não furtar ou roubar” etc.? Não é possível! Assim como não se pode defender a fabricação de ídolos para serem adorados, adoração que é racionalmente ridícula. E qual seria o argumento contra o sábado, sendo ele o selo de DEUS e o símbolo do Criador? Nesse caso, só mesmo se for para substituir o Criador pelo não-criador, satanás e Lúcifer. O que tanto preocupava Paulo naqueles tempos, a questão da circuncisão e das alianças, a nós, hoje preocupa a questão posterior, a substituição do sábado pelo domingo. Estejamos preparados com argumentos bem fundamentados na Bíblia, pois já vi na Internet um famoso pastor defensor do sábado levar uma surra de outro defensor do domingo. Será que todos nós estamos bem preparados para defender a nossa fé quando isso nos for exigido?

 

  1. Segunda: Leis e regulamentos judaicos

Dizem os estudos da Administração que quanto mais dificuldades existirem, mais regras serão criadas. Isso também acontece em relação à burocracia, que é um conjunto de leis, normas, regras, padrões, procedimentos, etc., que regulamentam e norteiam o funcionamento das organizações. Quanto mais difícil for gerenciar a organização, mais burocracia tenderá a ter. Também, quanto maior, mais burocracia; quanto mais seu ambiente for instável, mais burocracia; quanto mais difícil a tecnologia envolvida, mais burocracia, e assim por diante.

No Jardim do Éden não havia nem Dez Mandamentos, só havia o princípio do amor. O ambiente lá era simples, não era complicado viver no Éden. E DEUS lhes determinou que demonstrassem seu amor a Ele, sua fidelidade a Ele, simplesmente não comendo do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. O sistema legal na perfeição é sempre muito simples e objetivo, pois envolve pessoas, ou seres extremamente inteligentes e sem maldade no coração. Eles, lá no jardim, deveriam amar-se uns aos outros e estava resolvido.

Mas quando o pecado entrou no mundo, o sistema legal foi tornando-se cada vez mais complexo. Hoje nos países existem grandes grupos de pessoas tratando de aprovar e de revogar leis quase todos os dias do ano. Entre o povo de DEUS, Ele teve que regulamentar uma quantidade de coisas para que soubessem como viver. Não bastava mais apenas dizer, amem-se.

JESUS, quando esteve na Terra, ainda seguiu apenas essa lei, Ele veio por amor, e por meio dele, viveu e venceu. Mas nós somos pecadores e temos uma tendência a errar sem saber ou até gostamos de errar, mesmo sabendo. Ao povo judeu, o povo de DEUS, Ele prescreveu, numa classificação humana, cinco tipos de leis. A lei moral, que existiu desde o Éden, mas não assim tão detalhada em Dez Mandamentos (mesmo assim, ela é hoje, perante as leis dos homens, extremamente simples, embora abrangente sobre tudo). A lei cerimonial, ou leis cerimoniais, não eram necessárias no Éden, mas depois, como sabemos, se tornaram um esquema didático para explicar como o pecado é horroroso, e como seria a sua solução, a morte do Cordeiro de DEUS. As leis civis, também desnecessárias no governo perfeito, se tornaram necessárias para que o rei e os súditos soubessem como se relacionar, e como o povo deveria relacionar-se entre si, por exemplo, sobre a questão da propriedade, etc.

Os estatutos e juízos foram importantes para que se determinasse como fazer justiça. As leis de saúde, como as demais, eram desnecessárias no Éden, quem iria lá ter problemas de saúde, estavam na perfeição.

Há um código de leis bem complexo para que saibamos viver. Para se ter uma ideia de como nossa vida hoje, no contexto do pecado tornou-se complexo, o Brasil tem nada menos que 181 mil normas legais, segundo um levantamento feito pela Casa Civil da Presidência. E ninguém sabe ao certo quantas delas já foram revogadas e quantas ainda estão em vigor. Vai chegando o tempo em que a vida aqui tornar-se-á tão difícil, só pelo lado burocrático, que a tendência será um aumento do estresse, da depressão e da desobediência voluntária e involuntária. Pois bem, estamos caminhando na avenida larga do pecado, onde tudo, ao longo do tempo, torna-se mais e mais complicado. Assim já foi com o povo de DEUS.

Mas o reino de DEUS funciona por meio de um único princípio, o amor. Por meio dele DEUS governa e os seres inteligentes atuam. E funciona perfeitamente. Quero estar lá.

 

  1. Terça: Conforme o costume de Moisés

Leiam atentamente o texto bíblico abaixo, relacionado à polêmica sobre a necessidade ou não de guardar as leis cerimoniais e praticar a circuncisão, para ser salvo. Atentem mais para as partes sublinhadas.

“Então alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos. Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, sobre aquela questão. E eles, sendo acompanhados pela igreja, passavam pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos. E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e lhes anunciaram quão grandes coisas Deus tinha feito com eles. Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés. Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto. E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem. E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; e não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também. Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios” (Atos 15:1-12, grifo acrescentado).

O texto bíblico não deixa dúvidas. Havia naqueles dias um problema de inércia do movimento, ou seja, pelo fato dos judeus viverem por muitos séculos num sistema legal provisório, o sistema sacrifical, não conseguiram de um momento para outro se libertar dele, quando era o momento de fazer isso. Continuavam crendo fortemente que era ainda necessário praticar os rituais de sacrifícios e também a circuncisão, como algo imprescindível para ser salvo. Pois bem, nunca antes a prática disso era condição para ser salvo, isso não consta na Bíblia, mas era condição para continuar pertencendo ao povo de DEUS.

Daí os judaizantes, e por certo a maioria deles, agissem de modo honesto, de boa vontade (assim como agia honestamente Saulo quando perseguia a igreja) ensinavam com eloquência que todos os conversos gentios precisavam observar os rituais dos sacrifícios e serem circuncidados, senão, ao contrário, não se salvariam.

Hoje não é diferente. Se aparecer uma pessoa tradicional na igreja, pastor, ou mais ainda, departamental ou presidente, e atrás do púlpito pregar que devemos santificar o domingo (essa é a nossa principal questão atual), muitos membros seguirão, isso é certo. Se aparecer alguém respeitado dizendo que bater palmas na igreja não é vulgar mas é adoração, a maioria seguirá. Se aparecer alguém assim dizendo que tomar mate não é tão mau, as pessoas aceitarão. Se aparecer alguém dizendo que sonegar um pouco de impostos não é errado, muitos comerciantes membros da igreja praticarão a sonegação, ou continuarão praticando. Essa última frase escrevi em respeito a um antigo pastor que em minha igreja teve a coragem de alertar contra a sonegação, pelo que lembro, o único a fazer isso. Mas outros disseram que sonegar não era problema.

Pois bem, a situação chegou a tal ponto que houve medo entre os gentios, medo de se perderem, pois um dizia uma coisa, o outro o contrário. Daí resolveram se reunir com oração, isto é, com a presença de DEUS. Foi o concílio de Jerusalém, por volta do ano 48 dC. Ali, conforme o texto acima de Atos, ficou decidido, com DEUS participando, que nem o ritual do santuário era necessário e nem a circuncisão, nem para os judeus e nem para os gentios. Ficou claro o seguinte: essas práticas deveriam deixar de serem seguidas com a morte e ressurreição de JESUS. Observe-se que nem judeus e nem gentios deveriam praticar. Esse foi um costume que se tornou obsoleto porque o Cordeiro de DEUS fora sacrificado. A circuncisão foi substituída pelo batismo e o ritual do santuário caducou com a vinda do Cordeiro de DEUS.

Apenas um esclarecimento. Como as lições são escritas por teólogos, e geralmente para outros teólogos, os membros que não tem o curso de teologia, não entendem algumas coisas escritas. A lição diz que o “tipo” encontrou o “antítipo”, por isso depois desse encontro os rituais não eram mais necessários. O que é tipo e antítipo? Baseados na Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia, de Champlin e Bentes, e outras fontes, antítipo é uma figura referida anteriormente por outras situações, do Antigo Testamento. Por exemplo: o Antigo Testamento contém tipos das verdades do Novo Testamento. O Tabernáculo e seus rituais são o tipo de CRISTO, que seria o antítipo. Canaã do antigo Israel é o tipo do repouso celestial, o antítipo. Adão, Abraão, Davi, Moisés, José, etc., são tipos de CRISTO que é o antítipo. Davi, por exemplo, ao escrever o Salmo 22 retratou seu sofrimento e assim, sem saber, descrevia paralelamente o sofrimento de JESUS CRISTO na cruz. O apóstolo Paulo em I Coríntios 15: 21,22 45-49 aponta Adão com um tipo de CRISTO. O livro de Hebreus por sua vez apresenta Melquisedeque como um tipo da realeza e sacerdócio de CRISTO (Hebreus 7:1-3). Tipos são figuras que DEUS utilizou ao longo da história bíblica para revelar importantes acontecimentos futuros, focando no Salvador. Eles têm seu cumprimento na vinda do Messias. Este cumprimento é chamado antítipo. Antítipo é a figura de que tratam as comparações e/ou ilustrações (tipos). Assim Moisés (tipo) prefigurou a CRISTO (antítipo). Há muitos tipos, mas o antítipo é frequentemente JESUS CRISTO, porém há outros antítipos. Os tipos geralmente ilustram a figura de CRISTO para que O possamos compreender melhor e fazer a opção pela vida eterna e possamos compreender melhor o futuro. Os tipos servem justamente para se entender convenientemente o Salvador e Seu ministério.

Espero que tenha ajudado a compreender o que é tipo e o que é antítipo. Espero que não tenha complicado ainda mais. Tempos atrás eu mesmo não entendia o que os pastores queriam dizer com essas palavras.

 

  1. Quarta: Os cristãos gentios

Vamos transcrever parte do trecho do estudo de hoje. Temos aqui a resposta do Concílio de Jerusalém, sobre a circuncisão e sobre a obediência aos rituais do santuário.

“E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me: Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome” (Atos 15:13,14). “Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento, pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que já expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos anunciarão também as mesmas coisas. Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá” (Atos 15:24-29).

O trecho completo poderás ler na Bíblia. Em resumo, a polêmica por causa dos ensinamentos dos judaizantes levou a que se reunissem em oração, e que no conselho de muitos, juntos com DEUS, chegassem a uma conclusão. A que conclusão chegaram?

Pedro disse que o sistema de rituais do santuário era um peso sobre os judeus, que nem eles conseguiam seguir como prescrito. O que significa isso? Dá para calcular quantos animais deveriam sacrificar por dia, se cada judeu cometesse apenas um pecado por mês? Suponha que nesse tempo de JESUS, fossem 4 milhões de judeus adultos (não faço ideia de quantos eram, mas possivelmente mais que isso). Seria um milhão de pecados por mês, ou seja, esse número de sacrifícios mensais. Não se pode fazer ideia de como isso seria possível, ou seja, pelo número de animais, quantidade de sacerdotes, quantidade de altares, e assim por diante. E o cheiro disso tudo, a quantidade de descarte em cinzas e outros materiais. Não é por menos que Pedro disse que nem os judeus conseguiam seguir a rigor esses rituais. Agora imagine requerer que todos os gentios, do mundo inteiro sacrificassem também. Seria o caos no planeta.

Mas esse foi o argumento deles, do concílio. O argumento estava correto, mas superado. Na verdade, com a morte de JESUS e Sua ressurreição, ou como se explicou ontem, esses sacrifícios não eram mais necessários, e ponto final (ver Col 2:14). Não era bem o caso de não exigir isso tudo dos gentios, ninguém mais precisava sacrificar, se bem que os judeus continuaram até que o templo de Jerusalém fosse destruído.

Então, o concílio foi sábio em dar um conselho aos gentios, que não ofendessem os judeus em outras coisas que estes eram muito zelosos: que se abstivessem de carne que os pagãos ofereciam aos ídolos (quando um pagão, nem todos, matava um animal, vendia parte dele no mercado, e outra parte oferecia em sacrifício a algum ídolo, não havia mal algum em comer carne desse animal, porém, para não ofender os judeus, que evitassem); que não se envolvessem em fornicação (luxúria, prática sexual fora do matrimônio, geralmente com prostitutas, ou a pedofilia, etc.), nem com carnes de aninais estrangulados ou sufocados e que nem comessem sangue.

Percebeu que o concílio nada mencionou sobre os Dez Mandamentos nem sobre a guarda do sábado ou de sua transferência para o domingo? Simples, esse assunto não era ponto da polêmica, o concílio ateve-se objetivamente ao problema que vinha ocorrendo; os Dez Mandamentos eles vinham obedecendo sem questionamento.

 

  1. Quinta: Paulo e os gálatas

Tudo outra vez.

Houve o Concílio de Jerusalém. Lá decidiram que a lei cerimonial não deveria mais ser seguida. Nada falaram sobre a Lei Moral dos Dez Mandamentos, portanto nada teria mudado em relação a essa lei. Mesmo assim, alguns, e não tão poucos, desrespeitaram a decisão do concílio e viajavam em direção às igrejas recém fundadas, e que ainda não tinham tanta firmeza no conhecimento, e ensinavam o contrário do que fora decidido nesse concílio. Ensinavam, como já estamos fartos de saber, que todos deveriam ser filhos de Abraão, portanto, deviam praticar as leis cerimoniais e serem circuncidados.

Temos duas considerações sobre essa questão. Primeira, a lei cerimonial fora anulada, ou melhor, não era mais necessária (Col. 2:14), pois ela era como o tipo que apontava para o antítipo, ou em linguagem que se possa entender, ela era uma ilustração que apontava para a realidade da morte intercessora de JESUS CRISTO. Logo, como o rasgar o véu que separava o santo do santíssimo declarava, essa lei se tornou agora sem função prática, eis que ela apontava para um evento futuro, agora esse evento chegara.

A segunda consideração é sobre a lei moral, os Dez Mandamentos. Nada sobre essa lei fora tratado no Concílio de Jerusalém, portanto, nada foi alterado em relação a ela. Essa lei não apontava para um evento futuro, ela é a regra de conduta para que os seres humanos se amem mutuamente e que haja amor entre Criador e criatura. Porque se deveria alterar algo que é, por natureza, bom sempre?

Porém, como parece óbvio, satanás, que não perde oportunidade para mentir e criar falsidades, aproveitou-se do evento da morte e ressurreição de JESUS, que tornou sem sentido a lei cerimonial, para tornar sem sentido também a lei moral. Isso criou uma situação contraditória, pois, como se anulariam os mandamentos, tipo, que proíbem roubar, matar, mentir etc. É não racional anular isso. Então, satanás se restringiu a atacar o selo de DEUS, o memorial da criação, o mandamento que faz lembrar do Criador, o sábado. Isso é absolutamente evidente que satanás se interessaria em destruir o sábado para separar a humanidade de DEUS. E como pecadores são propensos a serem enganados, a maioria caiu no engano, e acredita, como fizeram os gálatas em relação aos ensinos dos judaizantes, aceitam a mentira. O problema dos líderes da igreja naqueles dias não era o sábado, era a circuncisão; o nosso problema hoje não é mais a circuncisão, é a troca do sábado para o domingo. Tal como foi Paulo, nós também devemos ser zelosos nessa controvérsia moderna, e nos qualificar para defender nossa fé e nossas doutrinas.

 

  1. Resumo e aplicação Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal

Devemos ter sólido conhecimento sobre o sistema legal da nação judaica, os Dez Mandamentos, a lei cerimonial, especialmente nesses dias finais, e as outras leis também. Devemos ter como explicar como era utilizada e qual a motivação da lei cerimonial e porque ela deveria ter duração temporária, e porque os Dez Mandamentos são permanentes. Também devemos ter conhecimento sobre a polêmica da época entre os judaizantes e os apóstolos, dentro da igreja, bem como devemos estar cientes da grande controvérsia que já se inicia em nossos dias. A igreja será vencedora. A questão é se nós também seremos vencedores, se permaneceremos ou não na igreja, se seremos joio ou se seremos trigo.

 

  1. Aplicação contextual e problematização

Líderes atuais mundo afora e também na igreja, valem-se de textos bíblicos para justificar falsas doutrinas, como a santificação do domingo, a imortalidade da alma, o purgatório, santos eleitos por seres humanos, etc. Nós, do povo de DEUS, devemos não aceitar falsas doutrinas por sermos adventistas, mas por termos capacidade de defender a nossa fé.

 

  1. Informe profético vinculado com a lição

“Aumentaram nas últimas semanas as adesões ao evento “Sede de paz”, encontro internacional no espírito de Assis que se realizará de 10 a 12 deste mês, em Münster e Osnabrück, na Alemanha, em colaboração com as dioceses das duas cidades. A iniciativa, promovida pela Comunidade de Santo Egídio, é o primeiro grande evento pela paz de 2017, considerando que nas últimas semanas houve um recrudescimento do terrorismo, com atentados na Catalunha e Burkina Faso. “Uma ocasião para lançar uma forte mensagem ao mundo. É preciso fazer mais, e com urgência, contra a violência e pela paz. Um compromisso em que as religiões desempenham um papel delicado e importante. Podem até ser manipuladas, mas se endereçadas ao diálogo, restituem uma alma a países e continentes em crise e divididos entre si”, disse o presidente da Comunidade de Santo Egídio, Marco Impagliazzo” (Poderá ler mais aqui).

Perceba que a violência contribui com a união das igrejas, como previsto por Ellen G. White.

Os efeitos danosos de uma guerra persistem mais de 70 anos após seu término. Isso que vem acontecendo na Alemanha, mais intensamente na cidade de Oranienburg. Nessa pequena cidade despejaram em 45 minutos, mais de 6 mil bombas. Muitas delas não explodiram e acabaram soterradas. A cidade tem de 300 a 450 bombas não detonadas em seu subsolo. Isso apesar de mais de 200 terem sido neutralizadas nas últimas décadas. O sistema de detonação torna-se cada vez mais sensível, e podem explodir a qualquer momento por meio do mais leve movimento. Esse é o efeito da estupidez do pecado, que levou o ser humano a se odiar em vez de, como foi na origem, se amar. Veja uma estarrecedora reportagem aqui.

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“Antes de sua conversão, Paulo se havia considerado como irrepreensível “segundo a justiça que há na lei”. Filip. 3:6. Mas desde sua mudança de coração, ele havia alcançado uma clara concepção da missão do Salvador como Redentor da raça toda, judeus e gentios, e aprendera a diferença entre uma fé viva e um formalismo morto. À luz do evangelho, os antigos ritos e cerimônias confiados a Israel haviam ganho uma nova e mais profunda significação. Aquilo que haviam prefigurado tinha-se cumprido, e os que estavam vivendo sob a dispensação evangélica tinham ficado livres de sua observância. A imutável lei de Deus, dos Dez Mandamentos, entretanto, Paulo ainda guardava no espírito bem como na letra. Na igreja de Antioquia, a consideração do assunto da circuncisão deu em resultado muitas discussões e litígio. Afinal, os membros da igreja, temendo que o resultado de continuada discussão fosse uma divisão entre eles, decidiram enviar a Jerusalém Paulo e Barnabé, juntamente com alguns homens de responsabilidade na igreja, a fim de exporem a questão perante os apóstolos e anciãos. Ali deviam eles encontrar-se com delegados de diversas igrejas e com os que tinham ido a Jerusalém para assistir às próximas festas. Enquanto isto, toda a discussão devia cessar até que fosse pronunciada a decisão do concílio geral. Esta decisão devia ser então universalmente aceita pelas várias igrejas em todo o país” (Atos dos Apóstolos, 190).

 

  1. Conclusão

“Em íntima relação com o assunto da circuncisão estavam vários outros que demandavam cuidadoso estudo. Um deles era quanto à atitude a ser tomada com respeito a carnes sacrificadas a ídolos. Muitos dos gentios convertidos estavam vivendo entre pessoas ignorantes e supersticiosas, que faziam frequentes sacrifícios e ofertas a ídolos. Os sacerdotes deste culto pagão mercadejavam extensamente com ofertas a eles trazidas; e os judeus temiam que os gentios conversos pudessem levar descrédito ao cristianismo por comprar aquilo que tinha sido sacrificado aos ídolos, sancionando assim, em certa medida, costumes idólatras. Além disto, os gentios estavam acostumados a comer a carne de animais estrangulados, ao passo que os judeus tinham sido divinamente instruídos de que, quando animais fossem mortos para alimento, se tomasse particular cuidado para que o sangue fosse derramado do corpo; a não ser assim a carne não poderia ser considerada saudável. Deus havia dado estas injunções aos judeus a fim de preservar-lhes a saúde. Os judeus consideravam pecaminoso usar sangue como artigo alimentar. Consideravam que o sangue era a vida, e que o derramamento do sangue era consequência do pecado. … Os vários pontos envolvidos na regulamentação da principal questão em jogo, parecia apresentar diante do concílio dificuldades insuperáveis. Mas o Espírito Santo já havia, em realidade, solucionado esta questão, de cuja decisão parecia depender a prosperidade, senão a existência mesmo, da igreja cristã.

“E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Varões irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem.” Atos 15:7. Ele arrazoou que o Espírito Santo havia decidido o assunto em discussão ao descer com igual poder sobre os gentios incircuncisos e sobre os circuncisos judeus. Rememorou a visão em que Deus apresentara perante ele um lençol cheio de toda a espécie de quadrúpedes, e lhe ordenara matar e comer. Recusando ele, com a afirmação de que jamais comera coisa comum ou imunda, a resposta fora: “Não faças tu comum ao que Deus purificou.” Atos 10:15” (Atos dos Apóstolos, 192 e 193).

Por essas razões, o concílio ratificou o que o Céu já havia determinado, que a circuncisão e as leis cerimoniais só valeriam até a cruz, que carne sacrificada a ídolos não deveriam comer e nem carne com seu sangue. Também os gentios eram merecedores do mesmo poder do ESPÍRITO SANTO como os cristãos judeus, ou seja, não havia diferença entre raças e etnias para a salvação.

 

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Lição em espanhol: www.escuela-sabatica.com/comentarios.html

Vídeos sobre capítulos proféticos da Bíblia, em linguagem simples
Daniel 2 Daniel 3 Daniel 7 Daniel 8 Daniel 9 Daniel 12 Apoc. 12
Apoc. 13 1ªp Apoc. 13 2ªp Apoc. 14 Pragas 1ª p

(Apoc. 15, 16)

Pragas 2ªp Armagedom Pragas 3ªp

Armagedom

Os chifres
A igreja verdadeira Como é fácil enganar! As 4 primeiras pragas, enfoque econômico

 

 

estudado e escrito entre  1 e 7/9/2017

revisado por Jair Bezerra

 

 

 

 

Declaração do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

 

 

3 comments for “Lição 02 – O conflito

  1. Silvio
    outubro 10, 2017 at 8:12 am

    O irmão comentou na lição de terça-feira que a circuncisão foi substituída pelo batismo. Hoje vejo que muitos pastores enfatizam Marcos 16, onde diz que “aquele que crer e for batizado será salvo”. Enfatizam muito a questão do ser batizado. Já vi até afixarem uma faixa dentro do tanque batismal com esse verso. Isto quer me parecer uma estratégia para alcançar a meta de batismo e consequentemente acaba caindo na mesma questão dos fariseus de Atos 15, que exigiam a circuncisão.

    • Sikberto Marks
      novembro 11, 2017 at 9:47 pm

      Concordo com sua posição. O alvo de batismo, condenado por EGW, é uma meta, parece, de negócios.

  2. Jamille David
    outubro 11, 2017 at 4:37 am

    Deus abençoe meu irmão . gosto muito dos seus comentários ajudam demais.

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