Lição 05 – A fé de Abraão

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Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Quarto Trimestre de 2017

Tema geral do trimestre: Salvação somente pela fé: o livro de Romanos

Lição 05 – A fé de Abraão

Semana de 28 de outubro a 4 de novembro

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário complementa o estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

Verso para memorizar:Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rom. 3:31).

 

Introdução de sábado à tarde

Paulo que usa de linguagem complexa, muitas vezes difícil de entender, mas não impossível, em certos trechos é claro e direto, como no verso acima. Esse verso tem a ver com a anulação ou não da lei, e também com a mudança do sábado para o domingo. Faremos a pergunta de Paulo de modo um pouco diferente: Substituímos a lei pela fé? A resposta é dupla, não só a lei não é anulada pela fé como, pelo contrário, é tendo fé que confirmamos a lei. Isso equivale a dizer: a confirmação da lei é que passamos a praticar boas obras (a fé sem obras é morta, Tiago 2:14-26), logo, deixamos de pecar, obedecemos a lei, e isto é a sua confirmação, ou ainda, estaremos sob sua proteção.

Mas como funciona isso: de confirmar a lei pela fé? É o que tanto estamos estudando. Depois de perdoados, não seria lógico continuar pecando. O racional é daí em diante obedecer, por vários motivos:

  • Porque foi perdoado e não quer mais continuar pecando, pois houve arrependimento dos pecados.
  • Porque sente o amor de quem perdoou, e por esse amor, sente-se mal ao pecar de novo.
  • Porque cada novo pecado é como pregar JESUS outra vez na cruz; nossos pecados doeram nEle.
  • Porque quer mudança de vida, quer sair da miséria da vida em pecados.
  • Porque quer continuar salvo, e não ter que ser perdoado a cada pouco tempo.

Se Abraão, o pai da fé, teve que ser salvo pela graça, mediante a fé, quem somos nós, que não somos patriarca, para buscar outros caminhos de salvação, caminhos que não existem? A salvação, como explica a lição, ocorre por três etapas: (1ª) DEUS prometeu a graça, isso foi lá no Éden, no dia da queda; (2ª) aceitamos a promessa pela fé; (3ª) DEUS nos declara justos, isto é, perdoados, ou, sem pecado algum.

“Se a fé e as obras adquirissem o dom da salvação para alguém, o Criador estaria em obrigação para com a criatura. Eis aqui uma oportunidade para a falsidade ser aceita como verdade. Se alguém pode merecer a salvação por alguma coisa que faça, encontra-se, então, na mesma posição que os católicos para fazer penitência por seus pecados. A salvação, nesse caso, consiste em parte numa dívida que pode ser quitada com o pagamento. Se o homem não pode, por qualquer de suas boas obras, merecer a salvação, então ela tem de ser inteiramente pela graça recebida pelo homem como pecador, porque ele aceita a Jesus e crê nEle. A salvação é inteiramente um dom gratuito. A justificação pela fé está fora de controvérsia. E toda essa discussão estará terminada logo que seja estabelecida a questão de que os méritos do homem caído, em suas boas obras, jamais poderão obter a vida eterna para ele” (Fé e Obras, 20).

 

  1. Primeiro dia: A lei

O assunto de hoje é para os nossos dias. Tem tudo a ver com a grande controvérsia final, a que entende, por um lado, que a lei de DEUS, dos Dez Mandamentos foi anulada, ou foi substituída pela do Catecismo, ou foi modificada, coisas assim. Pela Bíblia, só podemos provar que nada mudou nos Dez Mandamentos, esse texto escrito pelo próprio DEUS, como costumamos afirmar, o primeiro texto da Bíblia escrito nessa Terra (depois Moisés escreveu os livros do Pentateuco e o livro de Jó).

Leiamos outra vez o verso da semana: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31).

Esse verso de Paulo, é uma afirmação contundente que, bem ao estilo desse apóstolo dos gentios, destrói qualquer argumento relativo a anulação dos Dez Mandamentos, sua alteração ou qualquer interferência em seu texto. Paulo aqui é fulminante: Não se anula a lei pela fé. Ele mesmo responde a sua pergunta, dizendo: “de maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei”, ou, a confirmamos. Só esse verso derruba qualquer tentativa de mexer na lei.

Pela Bíblia, como já escrevemos, só se pode argumentar que a lei nunca mudou, até pelo que o próprio Autor dos Dez Mandamentos, o Senhor JESUS CRISTO disse em Mateus 5:17 a 19, que nem Ele veio para mudar a lei. Ora, se o Autor da lei não a mudou, e na verdade só Ele poderia fazer isso, só Ele é o Legislador, se não o fez, nada mudou. Em outras palavras, se o Autor da lei (a lei é o seu caráter) não a mudou, a fé também não a mudaria ou anularia, pois a fé vem do autor da lei. Aliás, um argumento forte a favor de que a lei nunca mudou é o seguinte: se houvesse necessidade de mudar a lei, por exemplo, de suprimir o segundo mandamento, ou de trocar o dia de guarda do sábado para o domingo, ou de anular a lei, etc., então satanás teria razão quando, ainda no Céu, em plena rebelião, acusava DEUS que Sua lei era inconveniente. Qualquer mudança na Bíblia, a Palavra de DEUS (veja, de DEUS) ou qualquer alteração no que Ele disse, fez ou ordenou, denunciam que DEUS não é assim tão inteligente, nem onisciente, nem onipotente, etc., pois admite ter de consertar o que escreveu (os Dez Mandamentos) ou o que disse por Sua boca ou por meio dos profetas. Aliás, se DEUS anulasse a lei, anularia o Seu próprio caráter, pois a lei é a expressão desse caráter.  Em qualquer dessas situações, DEUS seria perdedor, derrotado eternamente, e satanás, que não é um ser bom, seria vencedor. Pasmem, daí as estórias (mitos) dos deuses que brigam entre si, todos maus, e que se digladiam mutuamente, faria sentido, pois DEUS, o Criador, tal como satanás, também não seria inteiramente bom, na melhor das hipóteses, seria pouco melhor que o próprio satanás. Mas, também seria sujeito a falhar, cometer erros e ser vencido por argumentos. Isso é inadmissível pelo pouco que já conhecemos a respeito de DEUS.

“Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado” (Romanos 4:1-8).

Abraão é um exemplo do Antigo Testamento, e isso quer dizer que a graça não é uma novidade que aparece com JESUS no Novo Testamento. O patriarca foi justificado pela fé, diz o texto de Paulo, baseado em Gênesis 15:6. Logo, podemos ter a certeza que as obras nunca foram base para salvação, nem no Antigo Testamento nem no Novo Testamento. Já nos tempos antigos, antes de JESUS, a salvação e a justificação (perdão dos pecados) ocorria pela graça e pela fé. Nada mudou de um testamento para outro.

A fé não invalida a lei, nem a graça. A graça é o nome que se dá para o presente que DEUS nos deu, o perdão de nossos pecados, viável pela morte de JESUS. A fé é o meio pelo qual aceitamos esse perdão para sermos justos diante de DEUS. Portanto, esse não é um perdão sem pagamento, ninguém, em lugar algum do Universo pode contestar esse perdão como ilegal, pois JESUS pagou por ele.

Vamos a um raciocínio lógico. Se pela fé se anulasse a lei, por que então existiu lei antes do pecado? Por que correr o risco de acontecer o que aconteceu? Se fosse assim tão fácil, tudo o que estamos passando, poderia ter-se evitado. Pois bem, se não foi evitado também não seria jamais possível à fé, depois de JESUS ter pago um caríssimo preço para nos salvar por termos descumprido a lei. Pensa um pouco sobre isso: descumprimos a lei, fomos condenados à morte, JESUS nos livrou da condenação, agora a lei é anulada! Sinceramente, desculpem as palavras, mas tudo o que JESUS fez para nos salvar, e depois anulando a lei, seria uma grande palhaçada. Não haveria outra maneira melhor de descrever todo o sofrimento de JESUS. Entenderem o que significa o que escrevi acima? Significa que é isso que essas pessoas estão fazendo, chamando JESUS de palhaço. Ou não é? Essa é uma situação gravíssima.

 

  1. Segunda: Dívida ou graça

Se a salvação pudesse ser pelas obras, entenda em que situação complicada DEUS estaria: Ele teria obrigações para com os pecadores, ou seja, um pecador teria poderes sobre DEUS. Isso significa que um pecador, que conseguisse obedecer a lei praticando boas obras sempre, poderia reivindicar o perdão de seus pecados bem como a transformação para a vida eterna. Agora veja como essa situação se complicaria ainda mais. Além de DEUS receber ordens e requisições das criaturas, ainda por cima pecadoras, a salvação não poderia ser pelo amor, e sim, por um procedimento burocrático, ou seja, tendo o homem adquirido por sua competência ou méritos o direito ao perdão, podendo assim exercer domínio, ao menos nesse aspecto, sobre o Criador, isso deixaria em segundo plano o poder de DEUS bem como Sua autoridade. E o pior de tudo, a salvação seria pela lei, não pela graça. E tem mais: se é a criatura que domina sobre o Criador, o Reino de DEUS desmoronaria. Imagine pecadores fazendo reivindicações no reino de DEUS e Este tendo que obedecer. Seria o caos celeste. A ICAR que me perdoe, mas como ensina, de ter que fazer penitência, parece que quer derrubar DEUS de Seu trono.

E o que tem de errado se a salvação fosse pela lei? Duas coisas estranhas aconteceriam. A lei seria fraca, gerando uma situação de impunidade (conhecemos bem isso aqui na Terra) e também gerando outra situação de inversão de autoridade, como vimos acima.

Mas, graças a DEUS, a salvação é porque DEUS nos ama, e nos deu de graça o perdão. É claro, temos o direito de aceitar esse perdão, por aí que vem a fé.

Vejamos mais de perto o verso de Paulo para hoje. É ali que se explica isso. “Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado” (Romanos 4:6-8). Ou seja, o que está escrito nesses três versos é que o perdão nos é concedido sem que tenhamos praticado as boas obras da lei. E é bem lógico, afinal, no raciocínio de cima, falta um ponto vital: alguém nascido nesse mundo, exceto JESUS, é capaz de praticar 100% de obras da lei, sem nunca pecar? Logo, jamais o ser humano conseguiria reivindicar algo de DEUS; essa via de salvação sempre foi fora de nosso alcance.

Mas, concluindo, mesmo que fosse possível de um dia em diante praticar somente o bem, ficariam duas situações pendentes: os pecados passados e a nossa natureza pecadora. E aí, como é que fica?

 

  1. Terça: A promessa

Hoje é dia 31 de outubro, o Dia da Reforma Luterana. Faz exatamente 500 anos que Lutero pregou suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg. De lá para cá o mundo foi mudando. A Bíblia tornou-se o livro mais impresso, mais vendido e mais lido, e também, mais combatido do mundo. Foi pela Bíblia que Lutero descobriu que a salvação é somente pela fé, e isso mudou o conceito sobre DEUS e sobre o perdão. Descobriram que não é necessário fazer algo para ser perdoado e salvo, essa é uma iniciativa de DEUS e a nós somente compete aceitar.

“Por um decreto recente, fora prometida pelo papa certa indulgência a todos os que subissem de joelhos a “escada de Pilatos”, que se diz ter sido descida por nosso Salvador ao sair do tribunal romano, e miraculosamente transportada de Jerusalém para Roma. Lutero estava certo dia subindo devotamente esses degraus, quando de súbito uma voz semelhante a trovão pareceu dizer-lhe: “O justo viverá da fé.” Rom. 1:17. Ergueu-se de um salto e saiu apressadamente do lugar, envergonhado e horrorizado. Esse texto nunca perdeu a força sobre sua alma. Desde aquele tempo, viu mais claramente do que nunca o engano de se confiar nas obras humanas para a salvação, e a necessidade de fé constante nos méritos de Cristo. Tinham-se-lhe aberto os olhos, e nunca mais se deveriam fechar aos enganos do papado. Quando ele deu as costas a Roma, também dela volveu o coração, e desde aquele tempo o afastamento se tornou cada vez maior, até romper todo contato com a igreja papal.

“Depois de voltar de Roma, Lutero recebeu na Universidade de Wittenberg o grau de doutor em teologia. Estava agora na liberdade de se dedicar, como nunca antes, às Escrituras que ele amava” (O Grande Conflito, 125).

Vamos ao texto bíblico de hoje, que tem muito a ver com a atitude de Lutero.

“Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada. Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão. Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem” (Romanos 4:14-17).

Vamos explicar esse texto em forma de itens. Disse Paulo:

  • Se os que confiam na lei como via de salvação, isto é, se eles são os herdeiros, então a fé é vã, desnecessária, e a promessa desaparece (isto é grave: DEUS Se enganou ao prometer a nós a vida eterna, etc., sendo que tal promessa não teria valor algum).
  • A fé, no caso da obediência à lei ser a salvação, a fé seria vã porque se poderia obter essa salvação por nossa conta, não pelo que JESUS fez. Nesse caso, por que a fé em JESUS?
  • A promessa também seria aniquilada, como diz Paulo, porque tudo o que foi prometido de graça na vida eterna não seria de graça, seria uma conquista humana. Além disso, por qual razão estaria DEUS prometendo isso ou aquilo se nós teríamos capacidade e competência para obtê-lo por nossa conta?
  • O que Paulo quis dizer com “a lei opera a ira?”. Simples, se pecar, ou, se transgredir a lei, tem que ser condenado, e isso é a ira.
  • Tem que haver lei, pois onde não há, também não há transgressão, MAS há o mal, só que ele não é ilegal. Isso é o caos.
  • Portanto, não há outra alternativa senão a única: o perdão pela graça e a salvação pela fé.
  • Abraão foi justificado, e salvo, pela graça e pela fé. Aliás, como bem explica a lição de hoje, no tempo de Abraão, ele nem poderia seguir a Torá, que ainda não estava escrita. Os Dez Mandamentos não foram concedidos, o Sinai veio depois (se bem que por oralidade Abraão conhecia as ordens dos mandamentos e os seguia). Abraão também nem era judeu, ele era igual aos gentios (o primeiro Judeu foi um neto seu, Judá). Isso tudo não é o mais importante para explicar que Abraão não foi justificado por suas obras. Aliás, a declaração de sua justificação ocorreu inclusive antes dele ser circuncidado.

Mas, há aqui uma observação importante a inserir. Abraão não foi justificado sem obras. Ele creu e isto lhe foi imputado por justiça, porém, ele obedeceu e foi correto no que fazia. Tiago explica isso: “Mas, embora Deus possa ser justo e ao mesmo tempo justificar o pecador, pelos méritos de Cristo, homem algum pode cobrir sua alma com as vestes da justiça de Cristo, enquanto comete pecados conhecidos, ou negligencia conhecidos deveres. Deus requer a completa entrega do coração, antes que possa ocorrer a justificação; e para que o homem conserve essa justificação, tem de haver obediência contínua, mediante ativa e viva fé que opera por amor e purifica a alma. Tiago escreve acerca de Abraão e diz: “Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.” Tia. 2:21-24. A fim de que o homem seja justificado pela fé, esta tem de chegar ao ponto em que controle as afeições e impulsos do coração; e é pela obediência que a própria fé se aperfeiçoa” (Fé e Obras, 100).

Vamos entender esse texto de Tiago. Uma coisa é certa: esse apóstolo não estava ensinando nada em contraditório ao restante da Bíblia. O que ele ensina está compatível com os demais textos. Ele disse que Abraão obedeceu a DEUS, ao oferecer Isaque, porque tinha fé em DEUS. Ele creu que viria a ser uma grande nação, de filho seu, embora já velho. Teve uma queda de fé no caso de Agar, mas ela (a fé) foi restabelecida. Depois demonstrou vasta fé ao levar seu único filho para ser sacrificado, em obediência a DEUS. O homem tinha certeza que DEUS proveria uma alternativa (Gên. 22:6), pois esse era o filho da promessa. Era pela fé que Abraão estava obedecendo, logo, a fé lhe dava força, e a sua obediência aperfeiçoava a sua fé, isto é, o tornava ainda mais confiante em DEUS. Logo, Abraão foi justificado pela fé, como estamos estudando, mas sem obras, ou seja, sem obedecer ao mandado de DEUS, Abraão não seria justificado. Assim, as obras participam da justificação, embora elas não sejam motivo de merecimento. Essas são as obras da fé, pois sem elas, a fé está morta (Tiago 2:17).

Diz Ellen G. White, sobre Tiago: “O apóstolo Tiago viu que surgiriam perigos na apresentação do tema da justificação pela fé, e se esforçou para mostrar que a fé genuína não pode existir sem as respectivas obras. Ele exemplifica isto através da experiência de Abraão: “Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou.” Tia. 2:22. Esta fé genuína executa uma obra genuína nos crentes. Fé e obediência resultam numa experiência sólida e valiosa” (Refletindo a CRISTO, MM 1986, 71).

 

  1. Quarta: Lei e fé

A pergunta que temos para refletir hoje é: Como poderia a lei, que foi transgredida, perdoar o transgressor? Se algo assim fosse feito, seria falcatrua. Ou, seria uma terra sem lei, pois, como já dissemos várias vezes, se a lei exige determinado comportamento, mas esse comportamento é diferente do que a lei exige, não poderia jamais essa mesma lei perdoar a transgressão. E sabe por que é assim? Porque a lei, em si, é apenas um texto, e assim, ela não tem capacidade de pagar em lugar do transgressor. Isso, o pagamento, foi feito pelo Autor da lei, esse sim, um Ser vivo, que pode fazer esse pagamento para que o perdão não fosse simplesmente um ato de bondade barata e sem contrapartida de sofrimento. Ele fez esse pagamento em defesa da lei (Ele mesmo disse que a lei nunca passaria) e em defesa dos pecadores, para que vivessem.

Por sua vez, esse costume do adorador fazer alguma coisa para merecer o favor de DEUS vem do paganismo, já nos referimos também a isso. É no paganismo que os adoradores se sacrificam para agradar os deuses, que até brigam entre si. Muitas vezes, dizem que é preciso aplacar a ira dos deuses, que também são maus e tem sentimentos negativos como os seres humanos. É claro que esses deuses são apenas mito, mas esse mito influencia a vida das pessoas em geral. Por costume, no cristianismo entrou a ideia que é preciso fazer algo para merecer a bondade dos seres superiores, e coisas assim.

O nosso DEUS é um Ser vivo, é o Criador de todas as coisas, e suas motivações são movidas pelo amor, isto é, a essência de seu pensamento, o caráter, é o amor. Movido por esse princípio que Ele, o Criador, veio a ser um de nós para pagar pelo que nós deveríamos pagar. Isso nós nem pedimos, nem conquistamos e nem merecíamos, mas nos foi oferecido de graça. É por esse meio que podemos ser perdoados (justificados) e receber de volta a vida eterna. A nossa parte é crer que isso é eficaz e que seremos transformados, e então, corresponder com a prática da fé, que são as obras.

“”Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Rom. 5:1. Justificação significa perdão. Quer dizer que o coração, purificado de obras mortas, está preparado para receber a bênção da santificação. Deus nos disse o que precisamos fazer para receber esta bênção. “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade. Fazei tudo sem murmurações nem contendas; para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo.” Filip. 2:12-15” (E Recebereis Poder, MM 1999, 96).

 

  1. Quinta: A lei e o pecado

Hoje temos algumas perguntas para refletir. São perguntas sobre a anulação ou não da lei (dos Dez Mandamentos), isto é, da lei moral.

  • Se não há mais lei, logo não há mais transgressão nem pecado, então por que ainda continuamos morrendo? Por que ainda há penalidade pela transgressão, se nem existe mais a transgressão?
  • Se não há mais lei, do que somos salvos (porque não há transgressão)?
  • Sem lei, obviamente não há transgressão, nem pecado, então não há mais o mal? Veja-se bem o seguinte, mesmo sem lei, o mal continua, logo, precisa haver lei. Por exemplo, muitos anos atrás não se previa na lei brasileira que pegar um automóvel e andar por aí e depois deixar onde pegou era uma infração. Logo, nesse caso, o que fez isso só poderia ser processado por roubo de combustível (o que foi gasto), pois sobre o carro não havia como condenar a pessoa. Mas, o mal havia. Assim é com a lei moral. Se não houvesse mais proibição de roubar, desapareceria automaticamente a roubalheira? Não desapareceria, continuaria. Sem lei o mal continua existindo, com a diferença que ele não é contido nem é algo pelo qual se pode ser condenado. Continuaria o mal, o sofrimento, o medo, a destruição, etc. Sem lei a situação só iria piorar mais. Sem lei o mal reina livre e não há combate a ele, isto é o caos total.
  • Ainda mais, sem lei não haveria governo celeste. Como se poderia imaginar um reino sem lei? Teríamos um governo anárquico (algumas pessoas há que defendem isso). Mas o reino de DEUS poderia ser uma anarquia?
  • Sem lei não teríamos mais o amor, pois este é expresso por regras simples de como amar a DEUS e ao próximo. Ora, se sem lei o mal continuaria existindo, e se aumentaria muito, então em vez de DEUS controlar o Universo, este controle passaria às mãos de satanás. Isso é evidente, pois, entenda-se isto: sem lei o bem pode desaparecer, isto é fato, mas o mal não desaparece, só se fortalece! O bem necessita de lei, mas o mal não, ele faz o que quer, como quer e quando quer, sem critério algum.
  • Portanto, a quem servem aqueles que ensinam que com a cruz a lei foi abolida? Servem a satanás, estão contra DEUS. Isto é fácil de entender pela argumentação acima.

“O apóstolo nos dá a verdadeira definição de pecado: “O pecado é a transgressão da lei.” I João 3:4. Uma classe enorme de professos embaixadores de Cristo é igual a guias cegos. Estão dirigindo o povo para fora do caminho de segurança ao apresentar as exigências e proibições da antiga lei de Jeová, como arbitrárias e severas. Dão permissão ao pecador para ultrapassar os limites da lei de Deus. Nisto são como o grande adversário, abrindo diante delas uma vida de liberdade em violação aos mandamentos de Deus. Com esta liberdade sem lei acabaram-se as bases da responsabilidade moral” (No Deserto da Tentação, 90 e 91).

“Deus pôs o homem sob a lei, como condição indispensável de sua própria existência. Ele era um súdito do governo divino, e não pode haver governo sem lei” (Patriarcas e Profetas, 49).

 

  1. Resumo e aplicação Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal

Lei, graça e fé, três palavras estudadas nesta semana. A lei é a norma de conduta, fundamentada no caráter do Criador, e que serve para orientar sobre como ser cidadãos de um reino perfeito onde todos se amam, e o amor advém do próprio DEUS Criador de todas as coisas. A graça é o oferecimento sem que antes dela o ser humano houvesse feito algo para merecê-la. A fé é o que fazemos depois de sermos perdoados pela graça de DEUS. A fé para ter valor deve se tornar prática, pelas obras da lei. Ou seja: depois que fomos perdoados por DEUS, continuaremos perdoados se praticarmos obras de obediência.

 

  1. Aplicação contextual e problematização

O mais lindo plano para salvar a raça humana, satanás vem distorcendo para se tornar o caminho para a perdição. Ele quer fazer entender que a lei foi abolida, coisa que muitos aceitam, embora seja total absurdo. Como que JESUS CRISTO iria morrer por causa da infração da lei e depois, ao ressuscitar, essa mesma lei não valesse mais? Ou então, fosse modificada? O plano de salvação é algo bem simples e fácil de entender, e se satanás não agisse, todos entenderiam e seriam salvos. O inimigo tem interesses pessoais para combater o plano de salvação.

 

  1. Informe profético vinculado com a lição

Mais uma vez uma previsão de destruição da Terra falhou. A Bíblia diz que o fim será por meio da segunda vinda de JESUS, não por guerra atômica, nem por colisão de algum corpo celeste, nem por outro modo qualquer. O “numerólogo David Meade, autor do livro Planeta X, que prevê a colisão de um enorme planeta misterioso com a Terra e a consequente destruição da humanidade”, falhou pela segunda vez, e embora já tenha falhado em 2012, muita gente esperava que ele acertasse. Para que a profecia bíblica se cumpra, não pode agora ocorrer algum desastre cósmico ou qualquer outra forma de colapso da humanidade. O fim virá pela segunda vinda de CRISTO, e não por qualquer outra forma. Vede a fonte aqui.

 

O major Ivan Blaz, do Rio de Janeiro, revelou algo pavoroso sobre a situação das UPPs do Rio de Janeiro, mais especificamente, sobre a cidade. A situação está fora do controle. Os policiais das UPPs fecham um olho quanto as atividades dos criminosos, porque assim esses policiais tem suas vidas preservadas pelo interesse dos criminosos em não serem incomodados pela polícia. Não podemos condenar esses policiais, são seres humanos, tem família, esposa, filhos ou filhas, e querem continuar vivos. O major disse que o que falhou é a política nacional de segurança.

Esse pronunciamento tem lugar no contexto profético em que vivemos. A situação, em diversas frentes, chega a situação de não retorno. Há vários assuntos nessa situação, como a relação entre a Coreia do Norte e seus vizinhos e os Estados Unidos da América; a situação da Síria; a situação entre a Palestina e Israel; a desonestidade no Brasil e em muitos outros lugares, e assim vai. Outro aspecto que também deverá sair do controle, se já não está nesse nível, é o aumento do mundanismo na nossa igreja e da banalização dos rituais em seus cultos. Para tudo isto, DEUS já antecipou o que vai fazer. Quanto à igreja, Elen G. White escreveu: “Em todas as gerações Deus tem enviado Seus servos para repreender o pecado, tanto no mundo como na igreja. Mas o povo deseja que se lhes falem coisas agradáveis, e a verdade clara e pura não é aceita. Muitos reformadores, ao iniciarem seu trabalho, decidiram-se a exercer grande prudência ao atacar os pecados da igreja e da nação. Esperavam, pelo exemplo de uma vida cristã pura, fazer voltar o povo às doutrinas da Bíblia” (O Grande Conflito, 606, grifo acrescentado).

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“Paulo sempre exaltara a lei divina. Ele havia mostrado que não há poder na lei para salvar os homens da penalidade da desobediência; que os pecadores precisam arrepender-se de seus pecados, e humilhar-se perante Deus, em cuja justa ira incorreram pela transgressão de Sua lei, e precisam também exercer fé no sangue de Cristo como o único meio de perdão. O Filho de Deus havia morrido como sacrifício por eles, e havia subido ao Céu para permanecer como seu Advogado perante o Pai. Mediante arrependimento e fé podiam ficar livres da condenação do pecado, e pela graça de Cristo ser capacitados daí por diante a render obediência à lei de Deus” (Atos dos Apóstolos, 393).

 

  1. Conclusão

“”Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas àquele que não pratica, mas crê nAquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.” Rom. 4:3-5. Justiça é obediência à lei. A lei requer justiça, e esta o pecador deve à lei; mas é ele incapaz de a apresentar. A única maneira em que pode alcançar a justiça é pela fé. Pela fé pode ele apresentar a Deus os méritos de Cristo, e o Senhor lança a obediência de Seu Filho a crédito do pecador. A justiça de Cristo é aceita em lugar do fracasso do homem, e Deus recebe, perdoa, justifica a pessoa arrependida e crente, trata-a como se fosse justa, e ama-a tal qual ama Seu Filho. Assim é que a fé é imputada como justiça; e a pessoa perdoada avança de graça em graça, de uma luz para luz maior. Pode dizer, alegremente: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente Ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; para que, sendo justificados pela Sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.” Tito 3:5-7” (Fé e Obras, 101).

 

 

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Lição em espanhol: www.escuela-sabatica.com/comentarios.html

Vídeos sobre capítulos proféticos da Bíblia, em linguagem simples
Daniel 2 Daniel 3 Daniel 7 Daniel 8 Daniel 9 Daniel 12 Apoc. 12
Apoc. 13 1ªp Apoc. 13 2ªp Apoc. 14 Pragas 1ª p

(Apoc. 15, 16)

Pragas 2ªp Armagedom Pragas 3ªp

Armagedom

Os chifres
A igreja verdadeira Como é fácil enganar! As 4 primeiras pragas, enfoque econômico

 

 

estudado e escrito entre   22 e 28/9/2017

revisado por Jair Bezerra

 

 

 

 

Declaração do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

 

 

3 comments for “Lição 05 – A fé de Abraão

  1. Dilia ferreira da Silva cunha
    novembro 3, 2017 at 8:34 pm

    Parabéns pela lição bem pesquisada , obrigada por nós beneficiar a cada sábado com a explicação. Que Deus vos abençoe pela boa vontade de nós ensinar.

  2. Abel Oliveira da Silva
    novembro 4, 2017 at 7:24 am

    Professor, de acordo com Ellen White, Moisés escreveu o livro de Gênesis, no deserto, quando ele passou lá 40 anos, portanto, os dez mandamentos não foi o primeiro texto da Bíblia escrito nessa Terra.

    • Sikberto Marks
      novembro 11, 2017 at 9:42 pm

      Os Dez Mandamentos foram escritos uns 3 ou 4 meses depois da saída do Egito, quando chegaram ao Sinai. Só depois Moisés escreveu o Gênesis, até porque muitos fatos ali relatados ainda teriam que ocorrer.

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