Lição 07 – JESUS desejava o bem das pessoas

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Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Terceiro Trimestre de 2016

Tema geral do trimestre: O papel da igreja na comunidade

Lição 07 – JESUS desejava o bem das pessoas

Semana de 6 a 13 de agosto de 2016

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário é meramente complementar ao estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

Verso para memorizar:Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mat. 23:37).

 

Introdução de sábado à tarde

Duas considerações. A primeira, sobre o verso acima. Desde que saíram do Egito, os filhos de Israel se bandeavam para deuses estranhos. Lá no Egito aprenderam a adorar deuses falsos, coisa que os pagãos fazem com tremendo zelo. Durante a caminhada deles no deserto, DEUS os protegia de tudo, e nada lhes faltou. Alimento tiveram em abundância e viviam quase como Adão e Eva, no jardim do Éden, embora estivessem em pleno deserto, pois não lhes faltava água boa e alimento de primeira qualidade. Certamente não suavam o rosto para saírem bem cedo de suas barracas e recolherem alimento para aquele dia. A nuvem os protegia do sol de dia, e de noite, a coluna de fogo os aquecia. Não era Éden, mas quem mais, nesse mundo, teve tais privilégios? Podiam sentir DEUS com eles, porém, não paravam de reclamar. Quanto melhor a situação, mais o ser humano reclama. Já escrevi isso nalgum comentário anterior, mas vale repetir. Não se veem igrejas pagãs tomando iniciativa por seus líderes de adorar o DEUS verdadeiro, mas é comum, ao longo da história, líderes, cristãos adorarem do modo pagão. O maior exemplo de todos é a santificação do domingo e a crença da imortalidade da alma, entre a maioria dos cristãos. Isso que eles têm a Bíblia, oriunda de DEUS. É perigoso ser cristão?

Depois de estabelecidos na terra que até hoje fornece alimento de primeira qualidade, como o leite de cabra e o mel da tâmara, (veja aqui), lendo a Bíblia, quase se perde a conta de quantas vezes eles se afastaram da verdadeira adoração em busca de deuses que são absolutamente nada, muito embora as realizações concretas que DEUS fazia por eles. Pois, durante todo esse tempo, até o ano 34 de nossa era, JESUS, como DEUS e como homem, fez tudo para reuni-los como Seu povo peculiar, mas eles, os líderes (reis e sacerdotes) não aceitaram. Pelo contrário, chegaram a apedrejar e matar muitos dos profetas enviados por DEUS, e por fim, crucificaram o próprio Senhor JESUS que os viera salvar.

Será que hoje, cometeremos erro parecido?

A segunda coisa que desejo comentar é sobre aquela igreja, que a lição ilustra, no dia de hoje. Veio de graça uma oportunidade para se cumprir a ordem de JESUS, de ir a todos os lugares e pregar. Que tal se jovens da igreja também treinassem andar de skate, e se misturassem com os daquele bairro, e os conquistassem, aos poucos, para completarem seus desejos de vida saudável? Pois, exercícios eles já faziam!

O que a igreja não deveria fazer? Não deveria fazer, de imediato, uma série de conferências para em duas semanas batizar uma quantidade de pessoas e em dois meses não ter mais quase nenhum desses participando dos cultos. Isso gera uma imagem negativa, fazendo nos parecer com os pentecostais, que batizam qualquer um que aparece.

Essas lições estão sendo extremamente esclarecedoras sobre a responsabilidade de salvar as pessoas, não apenas de batizá-las, banalizando a espiritualidade. Temo, no entanto, que ao menos por enquanto, nada mude. Mas há de mudar; então, muitos lamentarão por terem permanecido ao lado da liberal estratégia errada.

 

  1. Primeiro dia: Jonas em Nínive

O caso de Jonas está sendo bem estudado nesses últimos tempos. Depois de estudarmos o seu livro, de apenas quatro capítulos, já é a segunda vez que essa história aparece. O assunto é importante.

Afinal, o que havia com os ninivitas que Jonas não queria ir? Por outro lado, ele não poderia ter-se informado melhor com DEUS sobre como seria a história por lá, assim como fez Moisés, antes de ir ao Egito para resgatar o povo de DEUS? Fato é que os ninivitas nada de mal fizeram com Jonas, levaria uns três dias para percorrer a cidade, e aqueles maus cidadãos, todos, incluindo o rei, por iniciativa dele, se converteram. Até os animais foram levados a jejuar, implorando o perdão de DEUS. Essa gente, sem exceção, se voltou ao DEUS de Israel. Um sucesso evangelístico que coloca no chinelo os melhores e maiores planejamentos de hoje. Afinal, desde aquela vez, será que outro evangelista conseguiu converter 120 mil pessoas, em um único dia de pregação? De onde veio tanto poder?

Jonas, ao que parece, era profeta de poucas palavras. Em geral, os profetas não falavam muito. Mas esse aí era lacônico demais. Com DEUS, inicialmente não falou nada, fugiu. Tivesse tido ao menos um pequeno diálogo com DEUS, poderia Este informá-lo sobre sua importante missão. Mas Jonas, nada dizendo a DEUS, pegou uma bagagem, e foi em direção contrária, tentando fugir para bem longe. Parece que ele pensava: indo para longe demais, DEUS vai escolher outro, ou desiste do empreendimento. Fugir de DEUS, ele achava isso possível. Mas o mar se revoltou, o vento forte na direção contrária, o navio não saía do lugar, ameaçava naufragar. O que sabemos sobre a motivação de Jonas fugir?

“Como o profeta [Jonas] considerasse as dificuldades e a aparente impossibilidade desta comissão, foi tentado a duvidar da sabedoria do chamado. … Enquanto hesitava, duvidando ainda, Satanás o venceu com o desânimo. … No encargo que lhe fora dado, havia sido confiada a Jonas uma pesada responsabilidade; contudo Aquele que o havia mandado ir, estava apto a sustentar Seu servo e garantir-lhe o sucesso” (Profetas e Reis, 266).

“Mas Jonas revelou que não valorizava as pessoas daquela condenada cidade. Valorizou sua reputação e temeu que o considerassem um profeta falso. … Agora, quando vê o Senhor exercer os Seus compassivos atributos e poupar a cidade que havia corrompido seu caminho diante dEle, Jonas não coopera com Deus em Seu misericordioso desígnio. Não tem em vista os interesses do povo. Não o aflige o fato de que deva perecer um número tão grande de pessoas que não foram ensinadas a fazer o que é correto” (CRISTO Triunfante, MM 2002, 171).

Resumindo, Jonas não estava nem um pouco interessado na vida dos ninivitas. Ele queria mesmo que eles morressem de uma vez, eram por demais cruéis. Ele até temia ir lá para pregar. Não tinham compaixão por ninguém estrangeiro. Para ele, se pudesse rogar uma praga sobre a cidade para que fosse eliminada por meio de fogo do Céu, faria tal coisa. Ele também temia que, de fato, a cidade viesse a se arrepender, ou que de alguma forma DEUS fosse misericordioso, e não destruísse a cidade conforme a ameaça que devia dar a eles. O profeta focava em si mesmo, em sua reputação. Imaginava que, se DEUS não os destruísse (conhecia suficiente a DEUS para saber que era misericordioso), fosse alvo de chacota, ou, como se diz hoje, bulling. Estava totalmente interessado em si, e não havia a menor preocupação com a vida daquelas 120 mil pessoas.

Será que essa atitude pode servir como descrição de como nós, adventistas, somos, em muitas situações?

 

  1. Segunda: Cumprindo a missão, apesar de tudo

Vamos imaginar a seguinte situação hipotética. Uma família soube por programa de rádio sobre o plano de salvação e está desejosa que alguém vá até ela e os ensine tudo o que deve saber sobre esse plano. Pois bem, como se sentiria se, num determinado dia, uma pessoa batesse à porta e se apresentasse como mensageiro de DEUS, disposto a ensinar sobre a Bíblia? E como essa família estaria se sentindo durante a espera? Imagine passando um mês, meio ano, um ano! A família está ansiosa pelo conhecimento para saber melhor o que deve fazer, mas ninguém aparece.

Precisamos orar para saber onde ir. Parece que já chegou o tempo como foi nos dias posteriores a JESUS, os tempos do Pentecostes. Por exemplo, o ESPÍRITO SANTO ordenou Felipe que fosse pela estrada de Damasco. Depois, que caminhasse ao lado de uma carruagem. E o resto Felipe já sabia o que fazer. O eunuco da carruagem já sabia quase tudo, só faltava ser batizado, estava desejoso que alguém viesse e lhe explicasse sobre o texto 53 de Isaías. Só ò ESPÍRITO SANTO sabia de sua situação, e como se fosse um software de comunicação, encontrou o servo de DEUS mais perto, ou em melhor situação, e sincronizou um com o interessado em entender sobre JESUS. Depois do batismo do eunuco, Felipe se achou em Azoto, para outra missão.

DEUS age quando as pessoas cooperam. É o que Ele deseja: que as pessoas se disponibilizem para que sejam úteis a Ele e ao plano da salvação.

Mas DEUS também age, ao menos em certas ocasiões, quando as pessoas não cooperam. Ele sabe a propensão das pessoas, sabe o quanto esse ou aquele pode ser transformado. Sabe quem pode ser transformado e quem não deseja ser transformado, como foi o caso de Judas. Esse aí, JESUS disse assim: “o que tens para fazer, vai e faze-o depressa”. Mas a Paulo, um perseguidor, Ele disse que era um tição tirado do fogo.

A situação de Pedro, por exemplo, quando negou três vezes a JESUS, não era muito melhor que a de Judas. Pedro não chegou ao ponto de trair, mas negou, e não uma nem duas, mas três vezes! Ante os olhos humanos, provavelmente seria descartado de participar da missão. Mas JESUS conhece os corações, as tendências das pessoas, a autenticidade delas. Sabia que Pedro se arrependeria. Aliás, após a ressurreição, quando JESUS foi falar com ele em particular, já se havia arrependido. Na mesma hora da terceira negação, quando JESUS olhou para Ele, quando sentiu o perdão do Mestre, ele se arrependeu. “‘Dizei a Seus discípulos, e a Pedro’, disseram os anjos, esse homem estava na lista dos alinhados com JESUS. Desde a morte de Cristo, Pedro se achava sucumbido pelo remorso. Sua vergonhosa negação de seu Senhor, e o olhar de amor e de angústia do Salvador, achavam-se sempre diante dele. De todos os discípulos, fora o que mais pungentemente sofrera. A Pedro é dada a certeza de que seu arrependimento fora aceito e seu pecado perdoado. É mencionado nominalmente” (O Desejado de Todas as Nações, 793).

Como diz a lição, ‘apesar de’ nossa teimosia, de nossos erros, de nossa relutância, de nossa oposição, de nossas falhas, de nossa rebeldia, de nossa ignorância, etc., DEUS deseja nos transformar para agentes de salvação. Pois bem, se não for assim, onde nesse planeta DEUS acharia pessoas perfeitas para o Seu trabalho?

 

  1. Terça: O amor jamais acaba

A Bíblia diz: “DEUS é amor”. Portanto, temos aqui uma declaração de suma importância. Ele não tem amor, Ele é amor! Ou seja, Ele é a origem do amor! Na verdade, Ele é a origem de tudo o que é bom. O mal que existe no mundo não veio de DEUS, veio da maldade, originalmente de satanás, e depois, de seus associados, anjos e seres humanos. Dessa turma nós também fazemos parte.

A origem do amor, DEUS, jamais tem limite de amar. Tanto que, quando DEUS Se vê obrigado a destruir, como no dilúvio, em Sodoma e Gomorra, e no final dos tempos do pecado, isso é para Ele um ato estranho. Ele jamais Se acostumaria a castigar ou destruir criaturas Suas.

O amor dEle nunca acaba. Aliás, essa é uma das características do amor, de se multiplicar de modo infinito. Por exemplo, uma pessoa pode amar outra pessoa, mas pode amar dez pessoas, como também cem pessoas, ou mil, ou um milhão, ou mais que isso. Quanto mais se ama, melhor nos sentimos e mais capacidade teremos para amar. Não se necessita produzir amor para dar amor, ele é virtual, basta amar e pronto. Ele vem da prática, quanto mais se quer bem uma pessoa, maior será a capacidade de querer bem essa pessoa, e outras pessoas também. Logo, o amor, que é o próprio DEUS, é mais que sentimento, ele é uma capacidade de fazer o bem pelos outros porque desejamos que elas estejam bem. O amor quer gerar benefícios aos outros. Quer tornar inimigos em amigos, quer que os outros estejam bem em todos os sentidos.

Foi por amor que JESUS morreu por nós, não por heroísmo. Ser herói é pouco perto de ter amor. Por exemplo, quando um pai, ou uma mãe faz algum ato impressionante para salvar um filho, dizem que esse foi um ato de heroísmo. Mas o correto seria dizer que foi um ato motivado pelo amor. Já não se valoriza mais o amor. Por causa dos heróis fictícios e imaginários, essas pessoas são classificadas como heróis. Mas não sejamos superficiais: um pai ou uma mãe salvam filhos porque os amam.

Os seguidores de JESUS deveriam demonstrar amor ao próximo, ou não deveriam dizer que são cristãos. Tenho um colega na Universidade que é ateu. Ele é um grande respeitador das ideias e conceitos dos outros, mas é ateu. Ele conhece muito bem a história da humanidade, e é ateu por causa dos atos da igreja durante a Idade Média. Ele diz assim: se DEUS é o que a igreja fez, então Ele não merece consideração. Um mau testemunho faz um estrago enorme.

Ao longo da história os cristãos deixaram um rastro de crueldade como mau testemunho. Muitos massacres e perseguições. Por exemplo: inquisição, tortura da pior espécie como empalar pessoas, cruzadas, guerras santas, matança de índios (nativos) na América do Norte, escravidão de negros (a igreja naqueles tempos ensinava que os negros não eram seres humanos, que não tinham alma), perseguição aos judeus, apoio ao nazismo, tentativa de destruição da Bíblia, pedofilia, corrupção na luta pelo poder, falar línguas falsificadas, fazer milagres em nome de DEUS, ensinar o domingo em lugar do sábado verdadeiro, perseguição passada e futura de quem não santificar o domingo, e muitas coisas mais. Os cristãos, da Babilônia atual, são muito cruéis, como já foram durante a Idade Média. Isso nada tem a ver com DEUS e com o amor, mas está ligado intimamente com satanás.

Nós, adventistas, devemos dar um choque de misericórdia ao mundo, inclusive ao cristianismo. Devemos demonstrar amor incondicional, baseados no exemplo de JESUS.

 

  1. Quarta: O segundo toque

Atente só para o que aconteceu no relato de Marcos 8:22 a 26. Trouxeram um homem cego para JESUS tocar. Criam que o toque de JESUS curava, mas não era assim. O que curava era o poder dEle, que poderia fazer com ou sem toque, por meio de palavras ou pensamentos, como desejasse. Por exemplo, DEUS criou todas as coisas aqui por meio da palavra, mas resolveu criar o homem e a mulher moldando, soprando fôlego e operando.

Então JESUS levou o cego para fora da aldeia e colocou de Sua própria saliva nos olhos do homem, e impondo as mãos, perguntou se via alguma coisa. Propositalmente JESUS não o curou totalmente de imediato, e havia um propósito nisso. Foi o único milagre que JESUS fez em duas etapas. Dá a entender que faltava fé ao homem, mas, conseguindo ver alguma coisa, pessoas se movendo como vultos, como árvores (comparação que lhe chegou à mente), pode ter aumentado sua fé, para completar a cura. Também pode JESUS ter feito em duas etapas para ilustrar o quanto nós todos devemos manter nossa comunhão com DEUS no processo longo de santificação. Isso não ocorre de um dia para outro. Rápida, instantânea será a transformação total, quando JESUS voltar, isso levará o tempo de um piscar de olhos. Uma certeza podemos ter: não houve falha no procedimento de cura. Seja qual for a fé do homem cego, JESUS poderia ter curado de imediato.

Outro ponto que devemos considerar nesse caso foi o que aconteceu antes dessa cura em duas partes. Recém JESUS havia multiplicado pela segunda vez alimento para muitas pessoas, e daí os fariseus pediram a Ele um sinal do céu. Afinal, o que é isso que pediram? Pelo seu ódio contra JESUS, não permitiam que houvesse fé em suas mentes, e duvidavam de JESUS, fizesse Ele o que fosse. Diante desse pedido provocador, JESUS advertiu a todos que tivessem precaução do fermento dos fariseus e de Herodes, isto é, da doutrina deles, que era humana, cheia de tendenciosidades, como era o caso do ‘corbã’. “Havia perigo de que o astuto raciocínio dos fariseus e saduceus levedasse os discípulos com incredulidade, levando-os a considerar levianamente as obras de Cristo” (O Desejado de Todas as Nações, 408). JESUS falou duramente com os discípulos porque achavam que, quando Se referiu àquele fermento, era porque não tinham trazido alimento suficiente para a multidão. Que ingenuidade! Ele relembrou a todos como já havia multiplicado o alimento pela primeira vez. E lhes perguntou então: “Não compreendeis ainda?” (Marcos 8:21).

O fermento na massa opera imperceptivelmente. Transforma o caráter, e a pessoa raciocina conforme o princípio do fermento ideológico desses fariseus. “Uma religião legal é insuficiente para pôr a alma em harmonia com Deus. A dura, rígida ortodoxia dos fariseus, destituída de contrição, ternura ou amor, era apenas uma pedra de tropeço aos pecadores. Eles eram como o sal que se tornara insípido; pois sua influência não tinha poder algum para preservar o mundo da corrupção. A única fé verdadeira é aquela que “atua pelo amor” (Gál. 5:6), para purificar a alma. É como o fermento que transforma o caráter” (O Maior Discurso de CRISTO, 53).

Esse, em poucas palavras, era o contexto da cura do cego, em duas etapas. Provavelmente a cura esteja muito mais vinculada com as pessoas ali em redor do que com o próprio cego. Um dia saberemos. Mas fica uma lição: ou não somos curados totalmente por falta de fé em nós mesmos, ou a cura não é completa porque pessoas ao redor estão perturbando. Ellen G. White disse que a igreja deverá ter mais da metade de seus membros fiéis para a igreja ter poder do alto.

 

  1. Quinta: A igreja centralizada nos outros

Reaparece o assunto do batismo, que já virou uma questão incômoda. Membros da igreja se irritam com a compulsão por batizar, por parte de muitos pastores. Há uma pressa por ‘dar banhos’ como se assim as pessoas estivessem com a salvação garantida. O pastor Timm, citado em artigo mais abaixo, refere-se a um processo de “lava-rápido”. O alvo de batismo virou uma disputa entre ministros. Particularmente fico envergonhado com tanta compulsão por batizar, parece um campeonato. Já vi casos, que não me foram contados por outros. Por exemplo, uma criatura excepcional, com idade mental de seis meses, foi batizada. Esse ser humano não sabe nem mesmo de sua existência. Outra menina de família humilde foi batizada contra a vontade dos pais, mas por meio de um apelo dramático do pastor. Já relatei sobre uma série de conferências que dos batizados não restou sequer um na igreja. Noutro caso faltava ao pastor uma alma para fechar o alvo de 40 batismos, uma criança, outra vez criança, foi levada ao tanque batismal, faltando muito para o suficiente preparo, e sendo ela ainda muito novinha. Isso está irritando os membros que são zelosos e que querem fazer um bom trabalho. Sei de um irmão que prepara secretamente seus estudantes, para que não haja pressão sobre eles.

Não darei minha opinião pessoal sobre esse assunto. Deixarei que, em primeiro lugar, Ellen G. White fale: “Os pastores que trabalham em cidades e vilas para apresentar a verdade, não se devem sentir contentes, nem achar que sua obra findou enquanto os que aceitaram a teoria da verdade não compreenderem de fato o efeito de seu poder santificador, e estiverem verdadeiramente convertidos a Deus. Ele Se agradaria mais de ter seis pessoas realmente convertidas à verdade como resultado do trabalho deles, do que sessenta que fazem profissão de fé nominal, mas não se converteram de todo” (Evangelismo, 320, negrito acrescentado).

O Pr. Ronald Timm, respeitado e equilibrado doutor da igreja, escreveu um preocupante artigo sobre a perda da identidade da Igreja Adventista nessas últimas décadas: “Podemos Ainda Ser Considerados o “Povo da Bíblia”?” O que ele está dizendo é que o preparo dos conversos está geralmente sendo superficial. Leia uns trechos abaixo, desse artigo:

“As novas gerações de conversos entravam para a igreja com tal convicção da verdade que dificilmente abandonavam a fé. … Se o objetivo a ser alcançado é batizar o maior número possível de pessoas, sem preocupações concretas com a sua permanência na igreja, então quanto mais curto e superficial o preparo, mais fácil será convencer pessoas a descerem às águas batismais. Mas, por outro lado, se o objetivo for conseguir o maior número possível de membros que permaneçam na igreja e sejam missionariamente produtivos, então teremos de ensinar-lhes antes do batismo pelo menos os fundamentos de nossa fé. Como poderão os novos crentes ensinar a outros a verdade que eles mesmos não aprenderam (Rom. 10:13-15; cf. Ter. 48:10)? … Lamentavelmente, nunca tivemos uma geração de adventistas tão superficial em seu conhecimento bíblico-doutrinário como a atual. … Não nos inquieta mais o grande número de apostasias de pessoas que nunca foram devidamente alicerçadas na mensagem adventista, e que, não muito depois do seu batismo, deixam as nossas fileiras para se unirem a outras denominações? … A atual conjuntura tem levado muitos adventistas a indagar até quando continuaremos ouvindo sermões que não levam praticamente a nada e presenciando batismos de pessoas não comprometidas com a fé que professamos. … Creio, particularmente, que a superficialidade doutrinária que enfrentamos hoje é uma das mais importantes estratégias satânicas para deixar-nos despreparados para os eventos finais, sem condições de expormos, de forma convincente, a base bíblica de nossas doutrinas”. Destaca-se uma parte que é uma triste realidade: “O estudo objetivo (doutrinário) da Bíblia tem sido substituído por uma leitura pietista (existencialista), destinada quase que exclusivamente a alimentar um relacionamento místico e subjetivo com Cristo. Consequentemente, os sermões de muitas de nossas igrejas tornaram-se mais leves, substituindo, em grande parte, o conteúdo doutrinário da Bíblia pelas experiências pessoais do próprio pregador” (negrito acrescentado). Leia todo o artigo, muito importante, acessando aqui.

O título da lição de hoje diz tudo: “A igreja centralizada nos outros”.  O foco, segundo a lição, não é o batismo, e sim, a prestação de serviços à comunidade. Será que alguma coisa está mudando na mentalidade mestra em nossa igreja? Pastores que conheço bem, especialmente os mais novos e afoitos, se algo que se fizer na igreja não resultar logo em batismos, não está correto, e é combatido por eles. Mas a lição de hoje ensina o contrário. Um deles inclusive disse que jovens poderiam vir à igreja vestidos até de regata… Outro, que não perdia um programa do BBB, disse que prefere ver jovens perdidos dentro da igreja que fora dela. Isso é maneira de se pensar? (Obs.: não me disseram, eu ouvi pessoalmente).

Algo tem que mudar na mentalidade de nossos líderes! O problema é tão grave que um pastor escreveu, sobre o artigo acima, o seguinte: “O artigo do Prof. Alberto R. Timm, na edição de junho, intitulado “Podemos ainda ser considerados o Povo da Bíblia?”, é dos mais importantes artigos publicados nos últimos anos. O problema que ele levanta, que é a superficialidade da Igreja pela preocupação com o número de batismos, e a consequente falta de preparo dos candidatos, deve ser considerado seriamente pelos administradores e departamentais da Obra, pois, pensando estarem promovendo o Reino de Deus mais rapidamente, na verdade estão enfraquecendo a Igreja e tornando-a presa fácil dos movimentos subversivos e de toda espécie de heresia. Além de desenvolver a presunção e orgulho pessoal. Aos administradores, departamentais e pastores de todos os níveis, que ainda não leram esse artigo, apelamos para que o leiam, com humildade e responsabilidade. E assumam sua posição com o temor de Deus”.  Pr Tercio Sarli – ex-Presidente da União Central Brasileira da IASD. Acima está o link desse importante artigo” (negrito acrescentado).

Bem ilustrado pela lição com o caso de uma igreja que possuía uma cozinha para fazer sopa para os pobres, especialmente em dias frios, como aqui no Sul, nos meses de inverno. Mas o pastor fechou a cozinha, pois não resultava em batismos. Esse, e muitos outros pastores e líderes, estão laborando em sentido contrário ao da Lição da Escola Sabatina desse trimestre. Noutro caso construíram uma igreja tão chique, que parecia ser um problema trazer pessoas de fora, não aculturadas à limpeza. Quem está na contramão, os membros ou parte da liderança?

Diz Ellen G. White, pouco respeitada em nossos dias, sobre a qualificação espiritual dos membros da igreja: “Quando a alma se rende inteiramente a Cristo, novo poder toma posse do coração. Opera-se uma mudança que o homem não pode absolutamente operar por si mesmo. É uma obra sobrenatural introduzindo um sobrenatural elemento na natureza humana. A alma que se rende a Cristo, torna-se Sua fortaleza, mantida por Ele num revoltoso mundo, e é Seu desígnio que nenhuma autoridade seja aí conhecida senão a Sua. Uma alma assim guardada pelos seres celestes, é inexpugnável aos assaltos de Satanás” (O Desejado de Todas as Nações, 324, grifos acrescentados).

 

  1. Resumo e aplicação Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal (anterior foco, porém, com o cuidado de fazer uma ligação entre os assuntos diários, sempre que possível)

O foco da igreja deve ser a salvação, não o batismo, que é resultado de um trabalho de salvação. Se nossa prioridade for o batismo, estaremos preparando candidatos para as outras igrejas, ou para o inferno. A superficialidade no conhecimento doutrinário, bem como a falta de experiência com JESUS, leva as pessoas a procurarem igrejas onde seja mais fácil participar, onde não tenha o que chamam de “problema do sábado”. Precisamos rever nossa estratégia. Por exemplo, são só 35 minutos por semana para em conjunto estudar a lição da Escola Sabatina, pouquíssimo tempo para um debate proveitoso. Em sermões, temos três por semana, gastamos um tempo médio de 90 minutos a 120 minutos, ou mais. Estamos dedicando enorme tempo para coisas que não contribuem, onde a eficácia de aprendizado é quase nulo. Por exemplo, nos sábados pela manhã, digamos que a igreja permaneça reunida das 9 horas até as 11:30, serão 150 minutos. Descontando os 35 minutos do estudo da lição e em torno de 40 minutos do sermão, restam ainda 85 minutos de uma quantidade de coisas que não somam para o crescimento espiritual. Isso se o tempo de permanência na igreja não for maior, pois há casos em que os membros são liberados às 12:30.

Convenhamos, muitos sermões são realmente maçantes, sejamos honestos. Porém, mesmo os bons sermões, pelo método, são pouco eficazes, senão para quem faz o sermão. Em lugar deles, se poderia, pelo menos, ter programas mais envolventes e participativos. Não é só pregando que estaremos focando na salvação. Especialmente contrastando o pouco tempo de estudo da lição com o enorme tempo em que todos só ouvem. É a diferença entre a participação ativa (Escola Sabatina no momento do estudo da lição) e a participação passiva, quando todos só ouvem.

 

  1. Aplicação contextual e problematização (aplicações possíveis dos assuntos aos cristãos na atualidade e identificação dos problemas que enfrentamos e indicativos de solução)

Temos uma série de problemas para enfrentar a partir do estudo dessa semana. Por exemplo:

  • Muitos, que poderiam fazer um bom trabalho, não estão motivados. O líder, ou o pastor, por vezes, ou quase sempre, vai à frente e tenta impor que toda a igreja venha à tarde para determinada atividade. Não é esse o melhor método para levar a igreja a participar, impondo sobre todos o que um ou dois querem que seja feito.
  • Há pressão para os membros saírem ao trabalho, mas não há persuasão nem envolvimento por parte dos líderes.
  • Falta motivar para os ministérios pessoais, que tendem a ser permanentes.
  • Falta continuidade. Projetos são formulados ‘de cima para baixo’ e prometem resultados acima do que são capazes de obter. Há muita atividade que morre logo mais adiante, por falta de motivação por parte dos membros. Projetos impostos não funcionam em organização alguma, isso não acontece só em nossa igreja.

 

  1. Informe profético vinculado com a lição

Há um tremendo conflito em andamento no processo de reforma e reavivamento na igreja. O inimigo está vendo que a igreja reage, que está trabalhando mais, e realiza esforços hercúleos para fazer que a igreja retroceda. Esse é o momento de mais oração e mais envolvimento da igreja, com visitação pessoal por parte dos líderes e pastores, nas casas dos membros, não para constrangê-los publicamente, como se costuma fazer, mas para desenvolver a consciência do dever.

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“Devemos advertir homens e mulheres contra a adoração da besta e sua imagem – contra o culto ao ídolo do domingo. Mas, ao realizar essa obra, não precisamos começar uma guerra contra os descrentes. Devemos simplesmente apresentar a Palavra de Deus em sua verdadeira dignidade e pureza, diante da mente dos que são ignorantes ou indiferentes acerca de seus ensinos. … Não precisamos dizer-lhes que irão para o inferno a menos que guardem o sábado do quarto mandamento. A própria verdade, acompanhada do poder do Santo Espírito, convencerá e converterá os corações” (CRISTO Triunfante, MM, 2002, 177).

 

  1. Conclusão

Como IASD, estamos avançando na reforma e no reavivamento. Esse é um estágio perigoso, pois a reação de satanás é violenta e astuta. Ele fará de tudo para fazer a igreja retroceder à mornidão, e em muitos casos, conseguirá adeptos. Ele fará forte pressão para que façamos tudo errado. Por exemplo, levará a que enfatizemos o número dos batismos, não a qualidade dos batizandos. Fará com que utilizemos recursos mundanos para atrair pessoas. Fará também que sejamos superficiais nos estudos da Bíblia bem como em nosso estilo de vida, para que seja mundanizado. Essa é uma situação conflituosa, que faz parte da guerra. Se em tempos de Laudiceia não nos preocupávamos com essas questões, hoje é tempo de debater isso e de enfrentar.

 

Assista o comentário clicando aqui.

Lição em espanhol: www.escuela-sabatica.com/comentarios.html

Vídeos sobre capítulos proféticos da Bíblia, em linguagem simples
Daniel 2 Daniel 3 Daniel 7 Daniel 8 Daniel 9 Daniel 12 Apoc. 12
Apoc. 13 1ªp Apoc. 13 2ªp Apoc. 14 Pragas 1ª p

(Apoc. 15, 16)

Pragas 2ªp Armagedom Pragas 3ªp

Armagedom

Os chifres
A igreja verdadeira Como é fácil enganar! As 4 primeiras pragas, enfoque econômico        

 

 

estudado e escrito entre   24  e  30/06/2016

corrigido por Jair Bezerra

 

 

 

 

Declaração do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

2 comments for “Lição 07 – JESUS desejava o bem das pessoas

  1. Mirian Cipriano Costa Mello
    agosto 10, 2016 at 4:37 am

    Olá como vai? Acompanho os comentários semanalmente e gosto muito. Sou professora da classe jovem é preciso estar sempre “antenada”. Na licao desta semana, no comentário de quarta- feira … O irmão cita um comentário de Ellen White que diz que a igreja deverá ter mais da metade de seus membros fiéis para a igreja ter poder do alto…por favor pode me fornecer a fonte desta informação … Quero cita-la na classe, mas gostaria de saber o livro é o contexto . Desde já agradeço …. Envio meu abraço cristão , pedindo a Deus que abençoe seu ministério bem como sua família .

  2. JOBENO FIGUEREDO
    agosto 12, 2016 at 4:25 pm

    Muitas verdades foram ditas,e é isso que está acontecendo.Realmente nestes últimos dias estamos vivendo uma mornidão tremenda.O mundanismo está tomando conta,a inveja,as brigas internas nem se fala. A Igreja tem sofrido com crentes porcelanas.Acho que devemos nos unir mais,estamos horando pela hunidade,e humildade.É um conflito presente,mas iremos vencer.

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