Lição 13 – O caráter de Jó

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Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Quarto Trimestre de 2016

Tema geral do trimestre: O livro de Jó

Lição 13 – O caráter de Jó

Semana 17 a 24 de dezembro

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário é meramente complementar ao estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

Verso para memorizar: “Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé aperfeiçoada pelas obras” (Tiago 2:22).

 

Introdução de sábado à tarde

Essa questão de fé e obras já foi bem debatida nessas últimas décadas, entre nós; é assunto bem compreendido, mas não por todos.

Não nos salvamos pelas obras, quem não sabe disso?

Somos salvamos somente pela fé, todos também sabem disso.

Mas não existe fé sem obras: aqui alguns, ou muitos, já não entendem.

É curioso e interessante. A fé é mais importante que as obras, pois por ela é que somos salvos. Mas é pelas obras que a fé se aperfeiçoa. Como entender isso?

É fácil de entender. Sabemos que a fé sem as obras é morta, ou, em outras palavras, ela nem mesmo existe. Logo, podemos entender assim: você crê em JESUS CRISTO como Salvador e aceita-O assim. Exerceu fé, foi salvo, tudo resolvido.

De agora em diante, o que você vai fazer? Vai continuar pecando ou quer parar de pecar?

Se continuar pecando, de nada valeu ter aceito JESUS. Mas se quer parar de pecar, vai, portanto, praticar obras segundo a lei, e assim vai aperfeiçoando sua fé, ou seja, pelas obras exercita a fé. Alias, é pela prática que aperfeiçoamos tudo em nossa vida. Por exemplo, um mecânico aprende a teoria sobre os motores a combustão. Quando ele puser a mão na massa, abrir um motor e procurar consertar, isso é praticar uma obra, assim ele vai firmar e entender melhor a teoria que aprendeu. Com a fé é a mesma coisa. Você crê em DEUS, e obedece, vai tendo uma vida de experiência com DEUS, e assim sua fé se fortalece.

Mas, como que vai praticar boas obras se, como eu que escrevi esse comentário, é um pecador nato? Pelo poder do ESPÍRITO SANTO, que está aí para nos ensinar e aperfeiçoar. Para isso, de novo, vai ter que se entregar cada dia por sua vez, a JESUS, para que envie o ESPÍRITO SANTO, afim dEste fazer o seu trabalho de transformação gradativa. E essa transformação resulta no aumento da capacidade de praticar as obras da lei, ou, as boas obras. Dessa experiência resulta o fortalecimento da fé. E assim vai até o dia em que, na volta de JESUS, tudo o que faltar para ser aperfeiçoado a fim de ser glorificado, será suprido.

Jó era uma pessoa correta ao longo de sua vida. Estudaremos esse assunto nesta semana, sobre o passado de Jó. Iremos nos surpreender o quanto esse homem era exatamente o contrário do que seus amigos imaginavam. Duas pessoas na Terra conheciam a integridade de Jó: ele mesmo e sua esposa. Ele, a ponto de reclamar com DEUS que aquele castigo todo era injusto; ela, a ponto de requerer que ele morresse e assim interrompesse todo aquele sofrimento injusto.

De agora em diante entenderemos que Jó estava sofrendo pela mesma lógica como sofreu Abraão ao levar seu filho ao sacrifício. Jó sofria porque era homem fiel a DEUS, e isso resultou na necessidade de, perante o Universo, comprovar que Jó era íntegro não porque era favorecido de DEUS, mas porque esse era seu modo de viver.

 

  1. Primeiro dia: O homem de Uz

Jó era acusado por homens. Não era acusado por DEUS nem por satanás. DEUS o classificou como íntegro, reto, temente a DEUS e que se desvia do mal. Satanás concordou com tudo, dando uma explicação da razão dele ser assim, que era o favorecimento da parte de DEUS.

Os homens deviam conhecer a reputação de Jó, afinal, era amigo deles, e certamente se encontravam com alguma frequência. Logo, os homens deveriam ao menos ter levado em conta o histórico de Jó, ou, digamos, o seu currículo, para no mínimo desconfiar que esse homem poderia não ser tão mau assim, a ponto de sair de um estado de grandes bênçãos para outro, de grande castigo. Era de desconfiar que num determinado dia Jó se tivesse pervertido tanto a ponto disso tudo acontecer em dois momentos: num, perder tudo, noutro, perder também até a saúde.

Outra coisa que aqueles homens deveriam ter levado em conta era a fidelidade de Jó para com a verdade. Será que um homem se torna mentiroso a tal ponto de, como Jó, não admitir ter feito algo errado, se tivesse feito? Sim porque, quando se comete um pecado, atrás dele vem outros e mais outros. Digamos que Jó tenha feito algo horrível (nem vamos imaginar alguma hipótese). Daí, vindo os seus amigos mais chegados, para se explicar, não admitindo o erro, teria que mentir. E essa mentira teria que se expandir na medida em que fossem apertando o homem com evidências. Pois, um homem íntegro como Jó, e assim ele era conhecido por todos, que fazia sacrifícios por seus filhos e se interessava pelas pessoas, poderia tornar-se tão mau a ponto de ir de um extremo de perfeição humana a outro extremo, de degeneração, como imaginavam? Isso é difícil de admitir.

O que vale aqui é o que DEUS disse, que classifica Jó em quatro dimensões de qualidades positivas e construtivas. Ele era um homem superior a todos os outros, não havia semelhante a ele na Terra. Era íntegro (inteiramente fiel); era reto, ou, justo; era temente a DEUS, ou, obediente e, por fim, se desviava do mal, ou, procurava evitar o pecado. Isso está escrito em Jó 1:8. E satanás concordou com a avaliação divina.

Portanto, o que aconteceu a Jó, não foi por ser pecador, mas, pelo contrário, por ser um ser humano de natureza pecadora, quase perfeito conforme os requisitos divinos.

 

  1. Segunda: Pés lavados em leite

Numa das lamentações de Jó, ele dizia que nos bons tempos, era como se lavasse seus pés em leite. Há um trecho em que Jó sentia saudades desse tempo. Disse ele: “Ah! Quem me dera ser como fui nos meses passados, como nos dias em que Deus me guardava! Quando fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça, quando eu, guiado por sua luz, caminhava pelas trevas; como fui nos dias do meu vigor, quando a amizade de Deus estava sobre a minha tenda; quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus filhos, em redor de mim; quando eu lavava os pés em leite, e da rocha me corriam ribeiros de azeite. Quando eu saía para a porta da cidade, e na praça me era dado sentar-me, os moços me viam e se retiravam; os idosos se levantavam e se punham em pé; os príncipes reprimiam as suas palavras e punham a mão sobre a boca; a voz dos nobres emudecia, e a sua língua se apegava ao paladar. Ouvindo-me algum ouvido, esse me chamava feliz; vendo-me algum olho, dava testemunho de mim; porque eu livrava os pobres que clamavam e também o órfão que não tinha quem o socorresse” (Jó 29:2 a 12).

Destaquemos apenas umas partes do que Jó falou nesse trecho. Ele sentia saudades daquele tempo, isso é certo. O trecho em que mencionou que lavava seus pés com leite não é literal, mas uma força de expressão que quer dizer, como hoje “nasceu em berço de ouro”, ou “está nadando em dinheiro.” Jó era feliz. Lógico, quem não seria feliz assim, crendo em DEUS, sentindo-se confortável por poder fazer o bem aos menos aquinhoados (ou, repartindo as bênçãos que recebia) e ao mesmo tempo prosperando e sendo respeitado por todos?

Jó sentia saudades dos tempos em que se assentava na praça da cidade, e ali era ouvido com interesse. Isso denota que Jó era um homem muito inteligente, cujas opiniões eram bem recebidas. As pessoas desejavam ouvir sua sabedoria e as soluções que emanavam dele. Suas palavras resolviam os assuntos.

Naqueles tempos o governo era assim mesmo, com debates nas respectivas cidades, que eram pequenas. Cada cidade tinha seu líder maior, o rei. O rei é uma figura bem antiga. Jó parece que não chegou a ser rei, mas era o homem que dava as opiniões nos debates sobre as questões de sua cidade. A influência de sua sabedoria ia para além da cidade de Uz, pois havia admiradores seus de lugares distantes (aqueles amigos seus, nenhum deles era de sua própria cidade, mas vieram de longe). Esse era o tempo das chamadas cidades-estado. Não havia países, mas cada cidade e suas redondezas tinha seu próprio governo, do qual participavam os homens mais idosos e mais reconhecidamente sábios. Em Uz, Jó foi reconhecido como o mais sábio de todos.

Os conselheiros das cidades eram, também, por sua vez, homens poderosos. Nunca um pobre recebia tal honra, de ser conselheiro do rei da cidade. Tinha que ser uma pessoa bem-sucedida. Logo, quando a desgraça alcançou Jó, ele perdeu aquele posto. Por isso ele sentia saudades daqueles bons tempos. Claro, foi uma perda doída, pois ele, em vez de exercer poder, queria analisar e dar soluções criativas aos problemas que aparecessem, além de ajudar os pobres. Essa ajuda era o que hoje se chama por “políticas públicas” do governo para com a classe desfavorecida, para tirá-la da miséria, coisa que funciona bem mal no Brasil. Jó era o homem do governo que destinava recursos às pessoas sofredoras. Portanto, como deveria ser bom morar em Uz! Mas depois que Jó adoeceu, quem faria esse papel? Jó lamentava, não tanto por si, mas, estava triste pelo fato de não poder resolver os problemas de pessoas que por si não conseguiam essas soluções. Era algo parecido com a história de Dorcas, que, quando faleceu, os pobres perguntaram: e agora, quem vai nos socorrer em nossas necessidades?

Claro, temos que convir, a sociedade é sempre mal agradecida. Assim foi o caso dos dez leprosos que JESUS curou. Só um voltou para agradecer. No caso de Jó, de sua cidade, parece que ninguém foi lá condoer-se com ele; vieram algumas poucas pessoas de longe. Alguns da cidade foram alegrar-se com ele depois que voltou ao estado normal de antes, aos bons tempos. É assim mesmo: quando vamos bem e somos caridosos, tendemos a ter muitos amigos. Mas quando chega a hora de ajudar quem nos ajudava, acontece como a JESUS, queriam que fosse crucificado. Com Jó não foi diferente do que aconteceu com JESUS, e do que ainda acontece hoje. Com os profetas do passado, que eram homens e mulheres que transmitiam a palavra de DEUS, o que faziam os reis e os sacerdotes? Perseguiam. E hoje, o que fazem os membros da igreja e muitos líderes (nem todos) com aqueles homens e mulheres que seguem, como JESUS o que está escrito? Simplesmente perseguem, desconsideram ou maltratam.

De que coisas tem saudades os que são fiéis nos dias de hoje?

 

  1. Terça: Coração e olhos

Jó não cuidava apenas de seus atos. Ele cuidava de seus pensamentos, para serem corretos conforme sólidos princípios. Os nossos atos vêm do que se passa na mente, sejam bons, sejam maus. A origem de tudo o que fazemos está na mente. Jó fala que era cuidadoso com seus pensamentos, assim como com seus atos. Aliás, quando cuidamos dos pensamentos, e isso é o correto, ao mesmo tempo já estamos cuidando dos atos, como consequência. Explicou isso a seus amigos, referindo-se ao modo de vida antes das calamidades. Nesse sentido, ele mais uma vez tentava convencer os seus amigos que nesse campo, o dos pensamentos, não havia cometido maldade suficientemente grave para ser tão severamente castigado. Disse por exemplo, que havia feito aliança com seus olhos para não fixá-los numa donzela (Jó 31:1). Ele comandava os seus olhos com a mente, baseado em princípios que mais tarde seriam escritos na Bíblia. Isso demonstra que naqueles tempos bem antigos já conheciam bons referenciais de conduta. E nos dá a entender que Jó era uma pessoa que mantinha esses referenciais bem vivos em sua vida e os ensinava a outros.

Pensamentos impuros: o pecado começa aqui. O que pensamos é tão importante quanto o que fazemos. O que pensamos determina nossas ações. “Semeie um pensamento e você colherá uma ação, semeie uma ação e você colherá um hábito, semeie um hábito e você colherá um caráter, semeie um caráter e você colherá um destino”. Há uma conexão entre os olhos e a mente. JESUS chegou a dizer, claro, figurativamente, que devêssemos arrancar o olho se ele nos levar a maus pensamentos e à perdição. Jó tratava a todos com o mesmo tratamento. Para ele todos eram iguais, não havia hierarquia, casta ou nível de importância. Ele possuía já naqueles tempos o que hoje se chama “direitos humanos”, ou então, direito de igualdade perante a lei. No Brasil, na Constituição diz que “todos são iguais perante a lei”. Na prática é diferente, mas esse princípio legal de nosso país é também um princípio divino. Ele também já conhecia o direito à defesa, concedia esse direito aos outros, e agora ele mesmo se valia de tal direito para defender-se de seus amigos, perante DEUS. Outra vez, no Brasil, existe esse direito, e em nossa igreja também.

Temos em nosso país o princípio do contraditório, isto é, de contrapor o que disseram de nós. “O princípio do contraditório e da ampla defesa é assegurado pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal. Consiste no direito do réu a ser ouvido e na proibição de que haja decisão sem que se tenha ouvido os interessados. Por conta desse princípio, no processo cível, a sentença será nula se o demandado não tiver tido oportunidade de contestar a ação e no processo penal, será suspenso até que a defesa seja apresentada. Ainda no processo penal, a condenação com base apenas em prova produzida pela acusação é também nula, motivo pelo qual o juiz não pode condenar com base em prova produzida apenas no inquérito policial. Já a ampla defesa corresponde ao direito da parte de se utilizar de todos os meios a seu dispor para alcançar seu direito, seja através de provas ou de recursos” (PORTANOVA, Rui. Princípios do Processo Civil. 4.ª edição. Editora Livraria do Advogado. Porto Alegre, 2001. P. 125). Nosso manual também defende o diálogo, não a imposição, como linha mestra da solução de desentendimentos na igreja. Deve-se resolver os casos de conflitos sem criar condições para que se espalhe e crie animosidade, mal-entendidos ou fofocas. Sempre utilizar o princípio de Mateus 18:15 a 17, “seja qual for a natureza da ofensa”. “Converse com ela [a pessoa que lhe ofendeu] com calma e mansidão. Não deixe que palavras iradas saiam dos seus lábios. Fale de modo a apelar ao seu bom senso”. O princípio por traz dessas orientações é sempre procurar dar uma nova oportunidade a quem comete erros e tratar as pessoas como desejaria ser tratado.

Assim sendo, quem sabe, devêssemos estudar mais esse livro de Jó para nossa orientação quanto a gestão na igreja. Há muitos ditadores entre nós. Eles fazem parte do joio, e por serem líderes não quer dizer que os demais, especialmente os prejudicados, devam calar-se e aceitar com resignação o mal que dessas pessoas se origina. Como Jó se defendeu de seus amigos desinformados e mal orientados, também, em nossos dias, devemos fazer o mesmo. Atentem todos ao seguinte: JESUS sempre Se defendeu em todas as ocasiões, menos numa, quando estava para ser crucificado. É que, se ali Se defendesse, a profecia não se cumpriria, então nessa ocasião, e só nessa, Ele Se calou.

 

  1. Quarta: Uma casa na rocha

Algumas coisas Jó e JESUS tem em comum. A crise de JESUS desde que foi preso até Sua morte na cruz, carregando a angústia do sofrimento de todos os pecados da humanidade, Ele só pôde suportar porque teve uma vida de obediência. Durante Seus anos anteriores JESUS uniu a fé com as obras, e assim fortaleceu tanto a fé quanto a capacidade de obediência. Foi o único que conseguiu manter-Se ao longo de mais de três décadas de vida sem nunca pecar. Foi o único ser humano, e não teve outro, que nascido sem pecado, viveu aqui sem pecar. Por ter-Se mantido fiel, quando mais Lhe foi exigido, correspondeu com o que era esperado: manter-Se íntegro.

Jó não chegou a nascer sem pecado, foi descendente de Adão e Eva, diferente de JESUS que foi gerado pelo ESPÍRITO SANTO. Mas na esfera do que Jó podia fazer, e do que dele se esperava, correspondeu tal como JESUS. Cada um venceu conforme o que o governo celeste esperava: como dizem, cada um em sua esfera de responsabilidades e de possibilidades.

O conhecimento de Jó sobre DEUS, se bem que não era tanto como temos os escritos em nossos dias, era um conhecimento poderoso. Ele viveu em tempos bem mais próximos da criação em sete dias, e o que sabia, recebeu por tradição oral, vindo de mentes poderosas que o haviam recebido dos grandes e sábios antediluvianos, cujo conhecimento passou pelo fiel Noé e seus filhos. Jó, como outros de sua época, tomavam tempo para debater e aprofundar seus conhecimentos sobre DEUS, tal como fizeram durante os embates intelectuais em sua agonia e dor. Que outro assunto falavam ali senão o relacionado a DEUS? Logo, naqueles tempos havia conhecimento poderoso sobre o Criador. Hoje é diferente, tempos muito conhecimento, é verdade, mas prostituído com interpretações falsificadas intencionalmente geradas, formando assim milhares de seitas e igrejas, uma verdadeira confusão babilônica engendrada para enganar as pessoas. Certamente eles, em seus dias, viviam com conhecimento mais puro, embora se enganassem como aconteceu.

Jó aproveitou o conhecimento que possuía e vivia esse conhecimento na prática. Ele aplicava esse conhecimento na praça da cidade, de onde se governava naqueles tempos. Ele repartia suas posses com os pobres, ajudava todo e qualquer tipo de necessitado. Assim ele fortalecia a sua fé em DEUS. Não sabemos quantos anos ele viveu antes da tragédia, mas nesses anos andou com DEUS, a exemplo de Enoque. Jó não foi levado ao Céu como Enoque, mas também esse não teve o privilégio de passar pela provação como Jó. Aliás, Enoque certamente sabia, de lá onde se encontrava, o que se passava com seu amigo desconhecido pós-diluviano. Por certo esteve nervoso por esse tempo; certamente, diferente de DEUS, e dos anjos, não sabia como seria o desfecho. Assim deve ter ficado preocupado quando JESUS foi levado ao calvário, ao altar do sacrifício, quando Seu sangue escorreu da cruz em direção ao pó da Terra, que somos nós.

Não há como deixar de comparar essas duas vidas, Jó e JESUS. O Salvador foi o maior, mas logo após Ele, outros foram grandes, dentre eles, estava Jó. Esse estudo está me levando a ter mais admiração por esse ser humano, igual eu, mas em muitos aspectos, superior, muito próximo do grande Salvador.

 

  1. Quinta: A multiforme sabedoria de DEUS

A questão em debate hoje é relativa a uma pergunta feita por Elifaz a Jó: “Tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro algum que tu faças perfeitos os teus caminhos?” (Jó 22:3).

Essa pergunta tem algum fundamento, mas, ao mesmo tempo, é absurda. O que se pode ver de fundamento nela é que o ser humano é tão pequeno, habita num minúsculo planeta, e é um ser pecador, que poderia representar nada para o DEUS do infinito Universo. Que diferença poderia fazer a integridade ou a justiça de um ser humano nesse planeta, diante da gigantesca importância do restante do Universo?

Mas a questão não é bem assim. DEUS e satanás estavam debatendo, por duas vezes, sobre a integridade de um ser humano, nesse minúsculo planeta. E pelas palavras de DEUS, Ele estava valorizando em grande medida o caráter de Jó, sua justiça e sua atitude. Ou seja, um único homem aqui na Terra é importante para DEUS.

Disso resulta que devemos ter certo cuidado quanto a nossa valorização diante de DEUS. Por um lado, não nos podemos ver como dignos diante de DEUS. Afinal, somos pecadores, e não merecedores dos favores de DEUS, que Ele nos oferece por causa de Seu amor, não por causa de algum mérito nosso. Mas por outro lado, somos muito importantes para DEUS, e isso devemos ter em nossa mente: somos importantes porque Ele nos ama. Somos importantes porque fomos feitos irmãos de JESUS, que é DEUS, além de sermos criaturas Suas. Isso requer que nós mesmos nos valorizemos na correta medida: importantes porque o Céu fez tudo para nos salvar; insignificantes porque nossos primeiros pais pecaram. E ainda somos importantes porque o Universo está de olho em nós, e sempre que seguimos a lei de DEUS, estamos praticando obras dignas de filhos e filhas de DEUS. Nisso Ele é honrado.

A pergunta de Elifaz foi disparada porque Jó se defendia como alguém importante a DEUS, alguém que DEUS ouviria. E Elifaz pensou: mas quem é ele, um homem que deve ter cometido um terrível pecado, e agora vem querer pleitear direto com o próprio DEUS a sua justiça? Ele concluiu que DEUS não estaria disposto a perder Seu tempo com a causa de Jó, que isso não daria prazer algum a quem estava ocupado com assuntos mais relevantes. Mas nos bastidores, no início da história, DEUS estava muito interessado no comportamento desse homem, assim como está interessado em relação a todos os seres humanos, um por um. A grande questão de todo o livro de Jó era: ele manteria sua fidelidade ou integridade em todas as situações em que fosse submetido? DEUS afirmava categoricamente que sim, satanás defendia a ideia de que não. De antemão, DEUS que conhece o futuro, sabia que sim. Satanás, que é inimigo de DEUS, desejava que não, e estava disposto a fazer de tudo para que Jó falhasse, portanto, que deixasse DEUS numa situação embaraçosa, para falar no mínimo.

Jó deu glória a DEUS pelas suas obras. Ao mesmo tempo, derrotou satanás, pelas mesmas obras. Nós glorificamos a DEUS, honramos a DEUS, pelo modo como vivemos, como nos comportamos. Isso quer dizer, assim temos o mesmo caráter que DEUS tem, portanto, somos filhos dEle, feitos à Sua imagem.

Diz Efésios 3:10: “pela igreja a multiforme sabedoria de DEUS se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais”.

Isso quer dizer quatro coisas:

  • É a igreja a responsável para difundir o conceito correto sobre DEUS no mundo.
  • A sabedoria de DEUS (o conhecimento dEle mais Sua inteligência sempre usados para o bem) é multiforme, ou seja, tem muitas formas, aspectos ou estados, ou que se manifesta de diferentes maneiras. Essa é uma sabedoria complexa, que não podemos entender em sua plenitude. Mas devemos fazer o que está ao nosso alcance para que esse tipo de sabedoria se torne perceptível, e isso faremos tendo uma vida prática que as pessoas entendam ser irrepreensível.
  • Os nossos atos, nosso estilo de vida, deve tornar conhecida a sabedoria de DEUS.
  • Conhecida por quem? Pelos poderes inteligentes terrestres e celestes, por todo o Universo.

Logo, mesmo parecendo irônico, ou contraditório, os seres mais inteligentes do Universo estão observando os seres menos capazes e degenerados para ver o quanto são fiéis ao Criador e Salvador destes. Assim sendo, embora degenerados, coisa que devemos ter em mente, temos também muito valor perante DEUS, como aquela única ovelha que o pastor foi atrás. Mesmo sendo insignificantes, podemos revelar em nossa pequenez, o caráter do Rei do Universo. E é o que devemos fazer, seguir sempre pelo que “está escrito” e deixar de lado o “eu acho”.

 

  1. Resumo e aplicação Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal (anterior foco, porém, com o cuidado de fazer uma ligação entre os assuntos diários, sempre que possível)

Jó era um homem santo, ou, em quem o ESPÍRITO SANTO estava trabalhando. Ele sacrificava, e por certo, todos os dias fazia a sua entrega pessoal a DEUS. É DEUS quem opera em nós a justificação (perdão dos pecados) e a santificação (recriação de uma competência natural para fazer o que é correto e levar uma vida conforme a lei de DEUS).

Não é contra a nossa vontade que DEUS faz qualquer coisa em nossa vida. Somos livres para fazer todas as escolhas com que nos deparamos. Até mesmo devemos escolher ser saudáveis ou doentes, e também, ser santificados ou permanecer decaindo em pecado cada dia mais. No entanto, se escolhermos a vida, DEUS nos justificará por meio do que JESUS já fez por nós, e providenciará gradativa mudança de vida todos os dias. Com o tempo perceberemos que nossos antigos gostos já não são mais tolerados, quando antes, os apreciávamos. Esse é o processo de santificação.

 

  1. Aplicação contextual e problematização (aplicações possíveis dos assuntos aos cristãos na atualidade e identificação dos problemas que enfrentamos e indicativos de solução)

O nosso grande problema, de todos nós, é apegarmo-nos ao que o mundo oferece. Muitas vezes até são coisas ruins e sem graça, mas, como são oferecidas com o poder de “todo mundo faz assim”, vamos no embalo da onda. Vai aí um exemplo: mau uso do celular, ou, smartphone. Como dizem, todo mundo está ligado o tempo todo, se bem que não é todo mundo. Logo, dentro das igrejas, na nossa ou em qualquer outra, as pessoas ficam mexendo em seus celulares. De minha parte, sou tradicional nesse sentido: levo minha bíblia impressa que está marcada e onde acho fácil as passagens. Entendo que se possa ter a bíblia eletrônica onde for possível, porém, para não influenciar a pessoa ao lado, não uso celular na igreja. Levo junto, mas ele fica sem o som.

 

  1. Informe profético vinculado com a lição

Os últimos dias seriam de enorme corrupção, como nos dias de Noé e de Ló. Prenderam mais alguns. No dia 16 de novembro, prenderam o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, por compra de voto, associação criminosa e coação. Ele foi alvo da Operação Chequinho, que apura fraudes no programa Cheque Cidadão. No dia seguinte, prenderam outro ex-governador, o Sérgio Cabral. O estado do Rio de Janeiro está falido por má administração e pela farra da roubalheira. Só Sérgio Cabral, disse a notícia, embolsou em torno de R$ 220 milhões. Que difícil seria para essas pessoas se arrependerem a fim de serem salvas! Como Zaqueu, elas devolveriam o que tomaram dos cofres públicos? Sinais dos tempos.

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“Impossível é, a mentes finitas, compreender o caráter e as obras do Infinito em toda a sua plenitude. Ao mais esclarecido entendimento, ao espírito mais altamente educado, esse santo Ser tem de permanecer sempre envolto em mistério. “Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-poderoso? Como as alturas dos céus é a Sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o inferno; que poderás tu saber?” Jó 11:7 e 8” (Caminho a CRISTO, 105).

 

  1. Conclusão

Jó era tão correto que se distanciou de seus amigos para entendimento por eles. O julgaram segundo eles mesmos eram falíveis, não segundo a santidade desse homem. Eles jamais conseguiriam alcançar o nível de sabedoria para entender nem mesmo o que Jó falava em seu benefício, que eles traduziam como ofensa a DEUS. Mas Jó não se nivelou por baixo, manteve-se confiante em DEUS sabendo que aqueles homens estavam enganados. Mesmo em seus piores dias de vida, todos esses dias, confiava e se entregava a DEUS, e esperava alguma providência divina. Sem perceber, ali mesmo, estava sendo fortalecido pelo poder divino, e venceu a sua fraqueza humana e a petulância de satanás.

 

 

Assista o comentário clicando aqui.

Lição em espanhol: www.escuela-sabatica.com/comentarios.html

Vídeos sobre capítulos proféticos da Bíblia, em linguagem simples
Daniel 2 Daniel 3 Daniel 7 Daniel 8 Daniel 9 Daniel 12 Apoc. 12
Apoc. 13 1ªp Apoc. 13 2ªp Apoc. 14 Pragas 1ª p

(Apoc. 15, 16)

Pragas 2ªp Armagedom Pragas 3ªp

Armagedom

Os chifres
A igreja verdadeira Como é fácil enganar! As 4 primeiras pragas, enfoque econômico        

 

 

estudado e escrito entre   14  e  20/11/2016

corrigido por Jair Bezerra

 

 

 

 

Declaração do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

 

 

1 comment for “Lição 13 – O caráter de Jó

  1. Aguida Rodrigues Cirilo
    outubro 15, 2017 at 5:25 pm

    Agradeço a Deus pela orientação de grande sabedoria e importância para minha vida diária! Recebo como presente, vindo do céu, através de seus profetas escolhidos, pelo Deus Altíssimo! Graça e Paz, pelo carinho!🔥

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