Lição 13 – Vida cristã

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Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Quarto Trimestre de 2017

Tema geral do trimestre: Salvação somente pela fé: o livro de Romanos

Lição 13 – Vida cristã

Semana de 23 a 30 de dezembro

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular, sênior, no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário complementa o estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

Verso para memorizar:Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de DEUS” (Rom. 14:10).

 

Introdução de sábado à tarde

Não podemos ser juízes de nossos irmãos. Ou, por acaso, mesmo num tribunal terrestre, onde estejam sendo julgados, digamos, oito pessoas que tenham cometido algum delito grave, algum deles pronuncia a sentença? Os criminosos não têm direito nem moral nem legal para julgar, só o juiz pode fazer isso.

No caso do desastre do pecado, nenhum pecador tem autoridade nem competência para julgar outro pecador. Por vários motivos:

  • Não somos justos para fazer justiça imparcial;
  • Não temos a autoridade para julgar, só JESUS a tem;
  • Não temos capacidade de colocar a decisão de justiça em prática;
  • Não temos conhecimento de tudo o que afetou o comportamento dos irmãos, só DEUS tem essa capacidade;
  • Não temos como pagar o preço, como JESUS pagou;
  • E, estamos na mesma situação de nosso irmão; como diz o verso acima, todos compareceremos perante o tribunal.

“Em espírito de mansidão, “olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado” (Gál. 6:1), vai ter com o que está em falta, e “repreende-o entre ti e ele só” Mat. 18:15. Não o exponhas à vergonha, contando sua falta aos outros, nem desonres a Cristo tornando público o pecado ou o erro de uma pessoa que Lhe usa o nome. Muitas vezes, a verdade deve ser francamente dita ao que está em erro; ele deve ser levado a ver esse erro, para que se emende. Mas não te compete julgar nem condenar. Não faças tentativas de justificação própria. Sejam todos os teus esforços no sentido de o restabelecer. Exige o mais delicado tato, a mais fina sensibilidade, o tratamento das feridas da alma. Unicamente o amor emanado da Vítima do Calvário pode aí ser eficaz. Trate o irmão com piedosa ternura o outro irmão, sabendo que, se for bem-sucedido, “salvará da morte uma alma”, e “cobrirá uma multidão de pecados”. Tia. 5:20” (O Desejado de Todas as Nações, 440).

 

  1. Primeiro dia: Fraco na fé

“Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar” (Romanos 14:1-4).

Havia uma polêmica em andamento entre os romanos, quando a carne sacrificada a ídolos e modo de alimentação em geral. Havia entre os romanos alguns grupos particulares se digladiando entre si. Um desses grupos era dos vegetarianos, que condenavam fortemente os que comiam carne. Dentre esses, havia os que condenavam os que comiam carne sacrificada a ídolos. Usavam costumes dos essênios, do tempo de JESUS. Ao menos alguns deles acreditavam que os animais eram sagrados e que comer sua carne seria quase um canibalismo, ou, seria mesmo canibalismo. Havia também o grupo dos legalistas, farisaicos, formados por cristãos judeus. Esses criticavam os ‘gentios liberais’, que por sua vez criticavam os cristãos judeus como hiperfundamentalistas. Havia o problema do alimento cárneo oferecido a ídolos. Alguns cristãos comiam sem cerimônia porque achavam que ídolos não são nada, enquanto outros entendiam que essa carne era abominação para DEUS. E assim brigavam uns contra os outros, e a igreja se enfraquecia. Esse problema da carne se repetia em outros lugares. Paulo tratou desse assunto na carta aos Coríntios. O trecho de Romanos 12:3-8 corresponde a I Cor. 12:1-31 e 14:1-40. O trecho de Rom. 13:8-10 corresponde a I Cor. 13 e Rom. 14:1 a 15:13 corresponde a I Cor. 8 a 10. Aliás, Paulo estava em Corinto quando escreveu aos romanos. (Esse parágrafo foi escrito com informações do Comentário Bíblico versículo por versículo de R. N. Champlin, p. 836).

O Concílio de Jerusalém orientou que não se comesse carne sacrificada a ídolos. Contudo, Paulo, pessoalmente, além de outros, não viam mal nisso. Ele chamava ‘fracos’ aqueles que não comiam dessa carne e que se escandalizavam dos que a comiam. Contudo, há um porém: devemos distinguir entre o essencial e o menos relevante, ou, o secundário. Pergunta-se, o que é mais importante: aceitar JESUS como Salvador ou distinguir se a carne foi ou não oferecida, em algum ritual, a ídolo? Às vezes se criam polêmicas em relação a assuntos de menor importância, que podem ser tratados em outra oportunidade, de maneira mais discreta.

Pessoalmente, eu, não comeria. Mas, quem comesse, problema dele. JESUS era assim. Disse a Judas, “o que tens para fazer, vai e faze-o depressa”. Judas tinha duas coisas para fazer: trair JESUS e enforcar-se. Pois bem, se decidiu trair, o que resultaria ato contínuo no suicídio, que fizesse. Assim também foi com o jovem rico. JESUS amou esse jovem, que já cumpria a lei, mas que estava apegado às riquezas. Quando JESUS lhe disse que vendesse tudo e que desse aos pobres, o rapaz virou as costas e foi embora. O mesmo se dá em todos os assuntos, e ainda hoje. Se alguém quer tomar chimarrão, chá preto, cerveja, ou seja lá o que for, que tome. Se com isso irá perder a sua vida eterna, problema dele. Se levar outros consigo para a morte, problema de quem foi junto. No máximo podemos dar alguns conselhos e, se não houver adesão, como JESUS disse, vai e faze-o depressa.

Iremos transcrever um trecho do livro de I Coríntios, sobre o assunto da carne oferecida a ídolos, se podiam ou se não podiam comer. A questão era uma espécie de zelo excessivo por parte de alguns. Ficavam cuidando ao extremo quanto ao destino de parte da carne. É que alguns dos pagãos quando sacrificavam um animal, ofereciam parte da carne a ídolos, e parte vendiam no mercado. O que Paulo explica aqui é que não devesse haver tanta preocupação com isso, simplesmente se soubesse que parte daquela carne foi sacrificada a algum ídolo, que não comesse, mas não precisava investigar à exaustão.

“Portanto, quanto a esse assunto: Devemos nós comer carne sacrificada previamente aos ídolos? Bem, nós sabemos que um ídolo não é coisa nenhuma. Só existe um Deus, e nenhum outro. Segundo muita gente, existe uma quantidade de deuses, tanto nos céus como na terra. Contudo sabemos bem que há um só Deus, o Pai, a quem pertencem todas as coisas, e que nos fez para sermos Dele; e também um só Senhor, Jesus Cristo, que criou igualmente todas as coisas e nos dá a vida.

No entanto alguns cristãos não compreendem isso. Durante toda a sua vida, habituaram­se a pensar que a comida oferecida aos ídolos é realmente consagrada a deuses reais. E agora ao comerem tais alimentos isso perturba­os e fere a sua consciência sensível. É verdade que não alcançamos o favor de Deus por aquilo que comemos. Não nos tornamos piores por não comermos, nem melhores por comermos. Mas tenham cuidado ao usarem dessa liberdade de comerem seja do que for, para que não levem a pecar algum irmão cristão cuja consciência seja mais fraca.

Vejam o que pode acontecer se um crente fraco, que pensa ser mal comer desse tal alimento, vos vir a comer num templo de ídolos. No fundo vocês sabem que não há mal nisso, mas ele será encorajado a violar a sua consciência, comendo aquilo que foi dedicado a um ídolo, embora continuando a sentir que está a fazer mal. Dessa maneira vocês, que sabem não haver mal nisso, tornam­se responsáveis pelo dano espiritual causado a esse irmão cuja consciência é fraca, mas por quem Cristo, afinal, também morreu. E pecar contra um irmão vosso, dando­lhe ocasião de fazer algo que ele pensa ser errado, é pecar contra Cristo. Portanto, se o comer carne que tenha sido consagrada aos ídolos fizer com que o meu irmão em Cristo venha a pecar, nunca mais tomarei desse alimento para não ser uma razão de ele cair” (I Cor. 8:4 a 13).

Resumindo, sempre que for o caso, evite fazer o que escandaliza algum irmão e o leve a se perder. A isso podemos acrescentar outro sábio conselho: evite-se toda prática muito próxima do pecado, aparência do mal, ou coisas que não sejam pecado, mas que mais um pouco, passam a ser pecado. Dou um exemplo, a pintura do cabelo. Isso é pecado ou não é? A igreja, em alguns lugares, aceita pintura discreta como aceitável. Mas aí vem a questão, o que é pintura discreta? Até que ponto DEUS, no caso, aceita e não aceita? Ora, na dúvida, em arriscando perder a sua vida eterna, e quem sabe, de outro irmão, evite e está resolvido. É a nossa regra aqui em casa. Mas, se não tiver medo de se perder, faça o que quiser e pronto. Cada um cuide de si e vai acertar contas no dia do juízo com DEUS.

O que Paulo estava querendo dizer com “irmãos fracos ou débeis na fé” era aqueles que se preocupavam e criavam polêmicas em questões secundárias, e se escandalizavam sobremaneira com os outros, que faziam o que eles achavam ser errado. Aliás, até pode ser errado, mas não é algo tão grave para alguém ser excluído do seio da igreja. Em nossos dias há muitos casos assim na igreja, que precisam de exortação, mas que não precisam de repreensão, muito menos de punição.

 

  1. Segunda: Diante do tribunal de DEUS

Iniciemos com um pensamento inteligente: “Julgamos a nós mesmos pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos” (Henry Wadsworth Longfellow).

“Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, E toda a língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda” (Romanos 14:10 e 11).

A respeito de julgar os outros, escreveu Ellen G. White: “Frequentemente tem-se de dizer claramente a verdade e os fatos aos que erram, a fim de os levar a verem e sentirem o erro, para que se reformem. Mas isto deve ser feito sempre com piedosa delicadeza, não com aspereza ou severidade, mas considerando a própria fraqueza, não seja ele próprio tentado também. Quando a pessoa em falta vê e reconhece seu erro, então, em vez de entristecê-la e fazer com que a pessoa o sinta mais profundamente, deve-se dar conforto. No sermão de Cristo no monte, Ele disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” Mat. 7:1 e 2. Nosso Salvador reprovou o juízo precipitado. “Por que reparas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?” Mat. 7:3 e 4. Dá-se frequentemente que, ao passo que uma pessoa é pronta a discernir os erros de seus irmãos, talvez esteja em maior falta ela mesma, mas se ache cega a isso” (Testemunhos Seletos, v1, 302 e 302).

“”Aqueles a quem perdoardes os pecados”, disse-lhes Cristo, “são perdoados; e aqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.” João 20:23. Cristo não dá aqui permissão, para qualquer homem julgar a outros. No Sermão do Monte, Ele proíbe fazê-lo. É a prerrogativa de Deus. Sobre a igreja em sua qualidade de corpo organizado, porém, Ele coloca uma responsabilidade para com os membros individuais. A igreja tem o dever, para com os que caem em pecado, de advertir, instruir e, se possível, restaurar” (O Desejado de Todas as Nações, 805).

“Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está agindo como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?” (Tiago 4:11-12).

E o que é julgar? A palavra julgar provém do latim judicare. É considerado como o ato de julgar com base em fatos e circunstâncias para tomar uma decisão sobre algo. Será uma decisão a ser implementada como obrigatória, tal como uma multa ou uma condenação. É deliberar na qualidade de juiz ou árbitro, por direito da lei. A palavra também se aplica ao reino da razão, onde um julgamento é uma avaliação das circunstâncias, uma certa compreensão da realidade e formar conceito, emitir parecer, opinião sobre alguém ou algo.

Logo, julgar, no contexto do verso acima significa entre formar uma opinião até uma condenação de alguém baseado no que essa pessoa fez. Porém, quem somos nós para termos tal capacidade, como DEUS tem, de conhecer totalmente tudo o que foi envolvido para que uma pessoa fizesse determinados atos?

Só DEUS é capaz de julgar com retidão e justiça e tomar uma decisão judicial correta e isenta de erro. Nós, o que podemos fazer, é exortar, aconselhar, orientar, orar, e coisas assim, a fim de ajudar a pessoa em erro a encontrar o caminho correto. O nosso procedimento está em Mateus 18, quando orienta que, primeiro vá falar com a pessoa, no caso que a ofendeu, só. Se não resolver, vá com mais uma pessoa. Se ainda não resolver, comunicar à igreja, e se ainda não resolver, então se esquive dessa pessoa e julgue-a como indigna de um bom relacionamento com ela. Mas lembremo-nos que a nós cabe muito mais perdoar que condenar.

Paulo finaliza, para o estudo de hoje, no contexto de comer ou não comer carne sacrificada a ídolos, que isso é secundário (embora no concílio de Jerusalém tenham orientado não comer), pois um ídolo é nada, como todos sabemos. Segundo Paulo, quem deixa de comer por esse motivo, não peca, e quem come, também não peca. Pois bem, para todos os efeitos, não só em relação a carne, mas com todas as coisas em que se tenha alguma dúvida, melhor é deixar de praticar do que praticar. Pois, se deixar de praticar não peca, no entanto, se pratica, quem sabe, sobre certas coisas, venha a pecar. Logo, pelo sim e pelo não, não perca a vida eterna por algo que é pecado, mas que esteve em dúvida e não leve outro a perder a vida eterna por ter dado um mau testemunho. Aliás, esse é hoje um grande problema em nossa igreja, o mau testemunho de pessoas que acham que o que fazem não é problema, nem pecado.

 

  1. Terça: Nenhuma ofensa

“Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, blasfemado o vosso bem; porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado” (Romanos 14:15-23).

É fácil resumir o texto bíblico de hoje. Não devemos criar polêmica na igreja por coisas menores, sendo elas aceitáveis ou não. Se o assunto for pertinente, pode ser abordado por meio de alguma reunião entre irmãos, com boa orientação, participando pessoas que se aprofundaram no tema e que não sejam parciais. Há na igreja hoje uma enorme quantidade dessas situações que precisariam ser abordadas e que, por ficarem sempre na berlinda, criam desconforto e conflitos.

Daremos um exemplo. Uma igreja seria reinaugurada depois de uma ampla reforma. Um rapaz, pertencente à igreja, tinha umas amigas que convidou para assistirem a reunião de reinauguração. Elas indagaram sobre como deveriam ir. Ele aconselhou que colocassem vestido e que não se maquiassem, fossem de modo simples. Assim fizeram. No entanto, algumas moças da igreja, que faziam a recepção, estavam maquiadas em extremo. As amigas do rapaz não quiseram mais vir à nossa igreja porque entenderam que nem os membros seguem as orientações da igreja. É assim que muitos saem da igreja e outros vivem escandalizados. Nós, definitivamente, não estamos vivendo os nossos próprios princípios, e isso leva muitos à perdição, inclusive quem serve de escândalo. É o que diz a lição de hoje.

No verso 22, acima, Paulo disse “Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova”. O que ele estava buscando dizer? Viva com sinceridade aquilo que é correto, de tal modo que você mesmo não tenha desconfiança se está correto ou se está errado. Seja zeloso nas suas decisões e nos seus atos. Mas, pelo que escreveu antes, isso se deve fazer num contexto de respeito aos outros que são zelosos em coisas pouco significativas ou zelosos em coisas erradas, mas não tão importantes. Tudo tem seu tempo para ser resolvido. E isso não quer dizer que devamos agora batizar pessoas mal preparadas, isso Paulo não disse aqui (se bem que acontece, e muito).

Ou seja, devemos viver com zelo pelos princípios que estão escritos, nunca pelo que “eu acho”. Mesmo assim, devemos cuidar para não ofender outros até naquilo em que estamos corretos. Vai mais um exemplo: tempos atrás, em nossa casa hospedou-se uma moça vegetariana. Do meu ponto de vista, era radical. No café da manhã rejeitou quase tudo, e ficamos constrangidos. Nem leite, nem yogurte, nem pão com leite, nem nata, nem manteiga, e tudo indagava que ingredientes continha. Foi um alívio quando foi embora. Noutra oportunidade e noutra casa, também um homem se hospedou e no jantar a senhora da casa fizera uma galinhada, com carne desfiada. Daí que ele revelou que era vegetariano. Só havia isso para comer. Pegou uma porção da galinhada e no prato foi separando, um grão de arroz para um lado e um fio de carne para o outro, até que comeu. No desjejum do dia seguinte, serviu-se de um copo de leite e colocou cinco colheres de açúcar. Nisso o dono da casa não mais se conteve e passou-lhe um rigoroso sermão sobre sua atitude, pois açúcar com leite é quase veneno.

Também sou vegetariano, e viajo bastante para dar palestras sobre profecias bíblicas. Frequentemente sou hospedado em casa de família e não foi possível informar sobre meu regime. O nosso povo se alimenta muito bem, nunca se passa mal. Porém, se a mulher oferece com alegria, como já aconteceu, um pastel com carne, não evito de comer. Nunca fiz voto de jamais comer carne, simplesmente deixei de comer. Pois, será que um pouco de carne fará a diferença entre a salvação e a perdição? Hospedei-me certa vez na casa de um pastor que não era vegetariano. Ele disse, envergonhado, que ‘ainda’ não era vegetariano. No fim, eu também fiquei envergonhado pela atitude sincera e humilde dele, e passei a buscar argumentos sobre não termos tanta pressa em fazer certas mudanças, como essa.

 

  1. Quarta: Observância de dias

“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos. Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo” (Romanos 14:4-10).

Temos nesse texto que atentar sobre o que Paulo não falou. Ele, referindo-se a dias, meses e anos, não falou nada sobre:

  • Sábado ou sobre os Dez Mandamentos;
  • Mudança do sábado para o domingo;
  • Abolição da lei moral ou dos Dez Mandamentos;

Ele não iria abolir uma lei, a moral, que ele classificou de santa, justa e boa. Porém, para quem tem essa intenção, de mudar do sábado para o domingo, qualquer texto que possa parecer favorável, será utilizado, como disse Pedro em 2 Pedro 3:16, citado na lição.

As perguntas que continuam em pé são as seguintes: O que há de errado na lei moral bem como no sábado (um de seus mandamentos), para que tivesse que mudar? Se essa lei é o resumo do caráter de DEUS, o que havia de errado nesse caráter para que tivesse que mudar? Se a lei de DEUS é o amor, e se DEUS é amor, o que há de errado para que o amor fosse alterado?

Não poderia Paulo, ou mesmo outro escritor de um mesmo livro, a Bíblia, afirmar uma coisa num lugar e o contrário noutro lugar. Não poderia na Bíblia haver forte defesa do sábado, pelo próprio Senhor JESUS, dizendo que nada mudaria na Sua lei, e noutro lugar, se afirmar que a lei perdeu a validade, ou que parte dela foi modificada. Se isso acontecesse, DEUS não seria DEUS e estaríamos todos perdidos. Nesse caso, satanás já estaria gritando a plenos pulmões denunciando a fraqueza de DEUS. Ele tentou fazer isso, ou seja, encontrar algum erro em JESUS humano, não conseguiu. Imagine se vai conseguir encontrar algum erro em DEUS, o Ser infalível. Para isso teria que encontrar alguma coisa inconveniente em Sua lei moral, que é o caráter de DEUS. Impossível. Aliás, fique bem claro, quem mudou o mandamento do sábado para o domingo, está a dizer que DEUS não é perfeito, pois teria havido mudança em Seu caráter.

 

  1. Quinta: Palavras finais

Finalizando sua carta aos romanos, Paulo exortou a que vivessem em paz uns com os outros. Cada um devia agradar seu próximo (isso não quer dizer, concordar com tudo com o próximo). Deve-se ter o mesmo sentimento, uns com os outros, vivendo em concordância. Isso é fácil se todos pautarem seus pensamentos e sua vida nos mesmos princípios bíblicos. Vivendo assim, podemos ter a esperança da vida eterna, e aos poucos, o ESPÍRITO SANTO irá transformar a todos conforme os mesmos princípios.

“”Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não agradou a Si mesmo.” Como Cristo tem tido misericórdia de nós, ajudando-nos em nossas fraquezas e pecaminosidade, assim devemos nós ter misericórdia de outros e ajudá-los. Muitos estão perplexos por dúvidas, carregados de fraquezas, débeis na fé, e incapazes de aprender o que não veem; mas um amigo a quem podem ver, vindo-lhes em nome de Cristo, poderá ser um elo de ligação que lhes firme em Deus a vacilante fé. Oh! é esta uma obra bendita! Não deixemos que o orgulho e egoísmo nos impeçam de fazer o bem que podemos fazer, se trabalharmos em nome de Cristo, e com espírito amoroso e terno” (Testemunhos Seletos, v2, 87).

“Algumas pessoas parecem pensar que ao entrar na igreja ser-lhes-ão cumpridas as expectativas, e só encontrarão os que são puros e perfeitos. São zelosas na fé, e ao verem faltas nos membros da igreja, dizem: “Abandonamos o mundo para não nos associarmos com caracteres maus, mas aqui também está o mal”; e perguntam, como os servos da parábola: “Por que tem então joio?” Mas não precisamos ficar assim desapontados, pois o Senhor não nos autorizou a chegar à conclusão de que a igreja é perfeita; e todo o nosso zelo não terá êxito em tornar a igreja militante tão pura como a igreja triunfante” (Testemunhos Para Ministros, 47).

 

  1. Resumo e aplicação Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal

A igreja existe para a edificação espiritual das pessoas, colocando-as e conservando-as no caminho da salvação. Para isso, quem tiver menos conhecimento ou quem tiver o conhecimento correto, não deve escandalizar, com sua conduta, aqueles cujo conhecimento está confuso ou distorcido. Devemos ser irmãos zelosos no sentido da salvação, não no sentido do “eu estou com a razão”. O estudo da lição desta semana nos leva ao dever de termos mais consideração com os outros, os diferentes, os que pensam de modo diferente, aos novos na fé, aos que estão lutando para ficar na igreja, aos que estão caindo para o mundo.

 

  1. Aplicação contextual e problematização

Assim foi nos tempos de Paulo em relação a carne sacrificada a ídolos. Em nossos dias ainda existe essa realidade, e o princípio de Paulo nem sempre é aplicado. Por exemplo, em relação a música na igreja. Há muitos membros (seriam eles os fracos, ou estariam estes bem informados profeticamente?), que não admitem louvor com volume alto, baterias batendo como em salões de baile, cantores se contorcendo, etc. Se estes membros não aceitam, seja porque são fracos, seja porque seguem a profecia de Ellen G. White sobre o assunto, por que, então, continua essa música tendo tanto apoio por parte de grande número de pastores, da direção da obra, de anciãos e principalmente de cantores? Não é exatamente isso que estamos estudando? Se nada mudar nesse sentido, para que serviu o estudo da lição desta semana? O que sabemos, é que assim, vendem-se mais DVDs, etc.

 

  1. Informe profético vinculado com a lição

“Justiça determina que igreja abaixe o som durante cultos e cerimônias – Autor da ação é o dono de um imóvel vizinho ao templo, cujos inquilinos estão incomodados com o barulho” Fonte aqui.

Parece que não é uma igreja adventista, nem deveria ser. Mas ao ler a íntegra da notícia, a igreja simplesmente se limitou a informar que não está sujeita à legislação municipal, e que não precisa reduzir o nível do som. Isto levou o vizinho a entrar na justiça, onde, nessa instância, ganhou a causa, porque a juíza entendeu que a vizinhança tem direito ao sossego público. Que isto nunca aconteça entre nós, termos que responder à justiça dos homens por desrespeito ao descanso dos outros.

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“Paulo instava com seus irmãos para que perguntassem a si mesmos que influência suas palavras e atos estavam exercendo sobre outros, e para que não fizessem coisa alguma, embora inocente em si mesma, que pudesse parecer sanção à idolatria, ou ofender os escrúpulos dos que fossem fracos na fé. “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.” I Cor. 10:31 e 32” (Atos dos Apóstolos, 316 e 317).

 

  1. Conclusão

“As palavras de advertência do apóstolo à igreja de Corinto, são aplicáveis a todos os tempos, e especialmente adaptadas a nossos dias. Por idolatria entendia ele não apenas a adoração de ídolos, mas o egocentrismo, o amor das comodidades e a condescendência com o apetite e paixão. Uma mera profissão de fé em Cristo, um presumido conhecimento da verdade, não torna um homem cristão. Uma religião que busca apenas o deleite dos olhos, dos ouvidos, do paladar, ou que sanciona a condescendência própria, não é a religião de Cristo.

“Pela comparação da igreja com o corpo humano, o apóstolo ilustrou habilmente a íntima e harmoniosa relação que deve existir entre todos os membros da igreja de Cristo. “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo”, escreveu ele, “quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (Atos dos Apóstolos, 317).

 

 

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Lição em espanhol: www.escuela-sabatica.com/comentarios.html

Vídeos sobre capítulos proféticos da Bíblia, em linguagem simples
Daniel 2 Daniel 3 Daniel 7 Daniel 8 Daniel 9 Daniel 12 Apoc. 12
Apoc. 13 1ªp Apoc. 13 2ªp Apoc. 14 Pragas 1ª p

(Apoc. 15, 16)

Pragas 2ªp Armagedom Pragas 3ªp

Armagedom

Os chifres
A igreja verdadeira Como é fácil enganar! As 4 primeiras pragas, enfoque econômico        

 

 

estudado e escrito entre   17 e 23/11/2017

revisado por Jair Bezerra

 

 

 

 

Declaração do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

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