Lição 7 – O caminho para a fé

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Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Terceiro Trimestre de 2017

Tema geral do trimestre: O evangelho em Gálatas

Lição 7 – O caminho para a fé

Semana de 5 a 12 de agosto

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário complementa o estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

Verso para memorizar:A Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em JESUS CRISTO, fosse a promessa concedida aos que creem” (Gal. 3:22).

 

Introdução de sábado à tarde

Em Romanos 11:32 há um escrito quase igual, do mesmo autor Paulo: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Romanos 11:32).

O que significam as duas afirmativas? As Escrituras, isto é, naqueles dias o Antigo Testamento, classificou todas as pessoas como pecadoras merecedoras da sentença de morte, e assim se explicita a alternativa da fé para que essas pessoas possam ter perspectiva de vida eterna. Em poucas palavras, é isso.

Por outro lado, o que Paulo afirma com essas palavras não tão misteriosas? Vamos por itens, uma maneira organizada de se explicar.

  • Em Gálatas Paulo escreveu que a Escritura encerrou tudo sob o pecado, e em Romanos, que DEUS fez isso. Fácil entender a diferença, como foi DEUS que inspirou os escritores da Bíblia, tanto faz dizer de uma ou de outra maneira.
  • Encerrar tudo sob o pecado, ou classificar, ou aprisionar, ou condenar, enfim, todos são pecadores, nenhum há que não tenha pecado, portanto, todos se tornaram mortais e envelhecerão e um dia morrerão.
  • E quando diz que, classificar assim o ser humano com o objetivo de pela fé em JESUS CRISTO conceder a promessa aos que creem, está afirmando que, pelo sacrifício de JESUS na cruz, podemos ter acesso ao que foi prometido a Abraão, uma bênção que se estenderia desde aqui na Terra até a eternidade.

Esses dois versículos são a suma do plano de salvação: por causa do pecado, estão todos condenados, mas em JESUS, todos podem escapar da condenação.

 

  1. Primeiro dia: A lei e a promessa

Transcrevemos alguns dos importantes versos que a lição usa para o estudo de hoje.

“Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei’ (Gálatas 3:21).

“Portanto, os Meus estatutos e os Meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o Senhor” (Levítico 18:5).

“E o Senhor nos ordenou que cumpríssemos todos estes estatutos, que temêssemos ao Senhor nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como no dia de hoje” (Deuteronômio 6:24).

“Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios, cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Romanos 3:9-19).

Paulo era um homem precavido. Inteligente, percebeu claramente que judeus tradicionais interpretariam mal seus ensinos. O que Paulo ensinava já estudamos bem, e ainda voltaremos ao assunto, por ser vital. Não custa revisar os pontos que Paulo aborda em Gálatas, são pontos essenciais. Vamos refletir um pouco no debate de hoje.

Então Paulo faz uma pergunta que os judeus gostaram de ouvir: “a lei é contra as promessas de Deus?” E logo respondeu: não! Ou seja, a lei e as promessas de DEUS não se excluíam mutuamente, mas são complementares. O que uma não podia fazer, a outra fazia, e assim se completavam, ou seja, assim se viabilizava a salvação. Essa foi, digamos, uma engenharia divina para salvar sem infringir a lei.

A ideia que vigorava da lei ser o instrumento de salvação vem da má interpretação de Levítico 18:5, acima transcrito. Ali, conforme sublinhamos para identificar melhor, diz que o ser humano viverá pela obediência à lei. Isso é a mais pura verdade. Porém, se aplica a quem já está salvo, ou seja, uma vez os pecados perdoados, continuará salvo, viverá, se continuar obedecendo a lei. A mesma interpretação deve ser dada a Deut. 6:24. E Paulo deixou esse assunto bem claro em Romanos, no texto também transcrito acima: Todos pecaram e todos necessitam da salvação por meio de JESUS. Nem judeu nem gentio, todos são pecadores, claro, com uma única exceção: JESUS CRISTO.

Então, resumindo, a lei, como já explicamos em lição anterior, protege da morte quem está salvo mas condena quem pecou, e a esse que pecou, como existe um plano de salvação, a lei acaba dizendo que o pecador, se quiser viver, necessita desse plano, ou seja, ela mesma não o salva, mas informa que existe um plano. Por sua vez, a graça, que salva pela fé em JESUS e pela fé de JESUS, é o tal plano que a lei remete o pecador.

E porque entendemos assim? Porque, no fundo, na mais pura realidade, a lei não é nada menos que DEUS, e Ele é amor. E o amor não tem desejo na morte de ninguém. Logo, pelo mesmo princípio que condena o pecador à morte, também, foi providenciada a saída, pois quem ama tanto, criou um outro caminho, para que, em vez de nós morrermos eternamente, JESUS, o Filho de DEUS fosse morto, e que, DEUS O ressuscitasse da morte eterna. Atente bem para essa última frase, é o resumo da questão.

 

  1. Segunda: “Prisioneiros da lei”

Vamos examinar de perto o verso de hoje, cuidando de não esquecer os versos próximos, que explicam o verso alvo, que é Gálatas 3:23.

“Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:22-26).

Façamos uma análise por partes: Atentem para a parte sublinhada. Ali Paulo explica que antes que JESUS viesse, antes de Seu sacrifício, antes que fosse selada, ou garantida na prática a promessa da vinda do Salvador, estávamos todos condenados, a tal ponto que, se JESUS não viesse, seriamos mortos para sempre. Porém, vindo Ele, proveu a graça para que escapássemos de estar debaixo da lei, ou em outras palavras, escapássemos de estar sob condenação.

Mais adiante, ele diz que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a CRISTO. Isso quer dizer que o fator condenação da lei também quer dizer que para livrarmos da condenação, precisamos de CRISTO. A mesma lei que condena também nos orienta a como escapar da condenação dela mesmo, ir a JESUS, ou crer no que Ele fez por nós. Assim funciona a lei do amor.

Esse aio, décadas atrás, se referia à lei cerimonial, mas depois se obteve melhor compreensão e se refere tanto à lei cerimonial quanto a moral. As duas atuavam juntas nesse sentido, e nem poderia ser diferente. A lei cerimonial anunciava a vinda de JESUS para morrer por nós, como um cordeiro. A lei moral anunciava que precisávamos dessa morte para nós mesmos não morrermos. Simples, não acha?

“Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum” (Romanos 6:14,15).

“E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei” (1 Coríntios 9:20).

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei?” (Gálatas 4:4,5, 21).

“Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gálatas 5:18).

Vamos agora analisar as partes sublinhadas dos últimos quatro trechos transcritos. O que está escrito em Romanos? Que o pecado não mais nos domina, ou seja, que passamos a repugnar o pecado, não mais gostamos dele, estamos sendo santificados. Por que assim? Porque não estamos mais debaixo da lei, ou, não mais sendo condenados pela lei, mas sendo transformados pela providência da graça. Agora estamos livres para não mais obedecer a lei? Ou que a lei não existe mais? Mais abaixo trataremos disso.

Depois, Paulo disse que usava estratégias diferentes para alcançar diferentes públicos: ele se fazia amigo, achegado, companheiro, embora, evidentemente, não compartilhasse dos pecados deles. Ele simplesmente não confrontava abertamente, mas usava de persuasão. Assim fazia para ganhar tanto os gentios quanto os judeus, os que estavam debaixo da lei, aqueles que imaginavam alcançar a salvação pela obediência da lei (ou obras da lei).

E nos dois trechos de Gálatas, Paulo explica que JESUS veio para resgatar, os que estavam debaixo da lei, os condenados por ela, e desse modo sermos considerados como irmãos de JESUS. E, finalmente, se somos guiados pelo ESPÍRITO, isto é, se estivermos sendo santificados, não estaremos mais debaixo da lei, mas salvos.

Agora voltemos à delicadíssima questão: então, não necessitamos mais obedecer aos Dez Mandamentos, que é o grande debate cristão de nossos dias?

Temos o exemplo, sobre a validade dos Dez Mandamentos, de JESUS, em vários lugares na Bíblia. Escolhemos apenas um, quando JESUS afirmou que o jovem rico deveria obedecer os Dez Mandamentos. Se não estar debaixo da lei significa a abolição da lei, então JESUS, aqui, teria falado de modo diferente. O Autor da lei nunca Se referiu à anulação da lei, pelo contrário, afirmava que ela duraria enquanto houvesse criação (Mateus 5:17 e 18, transcrito abaixo).

“E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 19:17-19). Ora, JESUS Se referiu diretamente a exemplos dos Dez Mandamentos. Ele mandou que fossem obedecidos. E disse com todas as letras, que se o jovem rico quisesse ser salvo, que guardasse esses mandamentos. É óbvio, mas não custa recordar, pois a Bíblia não pode se contradizer, seria salvo depois de ser perdoado e continuar obedecendo.

Palavras de JESUS, o Autor da lei, sobre a sua validade e durabilidade: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mateus 5:17,18).

Então, o que nos resta do estudo de hoje? Resumamos em itens:

  • Estar debaixo da lei é o mesmo que estar condenados por ela porque a transgredimos;
  • Isso também significa, ao mesmo tempo, que necessitamos de um Salvador;
  • E que, pelo que o Salvador fez por nós, podemos escapar da condenação da lei;
  • Depois de absolvidos e justificados pela graça, continuaremos obedecendo os Dez Mandamentos e a Bíblia toda, como JESUS mesmo explicou, para continuarmos salvos;
  • Continuaremos salvos até que pequemos outra vez, e o procedimento de perdão, se desejarmos, se reinicia.

Assim funciona o amor de DEUS: porque ama tem que condenar o pecador, mas porque ama, procura uma solução legal para salvá-lo.

 

  1. Terça: A lei como nosso “vigilante”

Como já viemos fazendo, iremos transcrever o texto de Paulo para hoje e depois analisá-lo.

“Irmãos, como homem falo; se a aliança de um homem for confirmada, ninguém a anula nem a acrescenta. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo. Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa (1). Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão (1). Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita (2); e foi posta pelos anjos na mão de um mediador. Ora, o mediador não o é de um só, mas Deus é um. Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte (1); porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3:15-24).

Outra vez, analisemos ponto por ponto, o estudo de hoje. Vejamos o item marcado em (1). O que diz ali? Diz que a lei não anula e muito menos se opõe à promessa de DEUS. Nem poderia, pois tanto a lei quanto a promessa vieram do mesmo Ser, DEUS. Se a lei se opusesse à promessa, DEUS seria confuso, isso é inadmissível. É simples e fácil entender isso. Deve haver harmonia nas coisas de DEUS, e como sabemos, a lei tem uma função diferente da promessa, e elas se complementam, não se excluem nem se conflitam.

Depois, como marcado no item (2), Paulo explica que a lei, (os Dez Mandamentos e a lei cerimonial, e, aliás, a Bíblia toda) foi dada por causa das transgressões. Isso também é simples de entender. Considerando que foi DEUS quem deu a lei e foi DEUS quem fez a promessa a Abraão, e ainda considerando que antes do Sinai já obedeciam aos Dez Mandamentos, já conheciam, na verdade desde Adão e Eva esses mandamentos, e muitos os seguiam, baseado em tudo isso, devemos fazer a pergunta: afinal de contas, porque DEUS resolveu escrever Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra, aos israelitas, no Sinai? Deve ter havido um bom motivo para organizar a lei em itens objetivos, claros e diretos.

Antes do Sinai, todos os seguidores de DEUS, os que não se tornaram idólatras, conheciam o princípio do amor. Os Dez Mandamentos não são outra coisa senão o detalhamento do amor, tanto que JESUS, referindo-Se a esses mandamentos disse que significam amar a DEUS e amar o próximo. Ou seja, esses mandamentos são uma descrição do que faz quem ama, eles representam o caráter de DEUS, que é amor. Por essa razão foram escritos, e era necessário. Aconteceram duas coisas aos israelitas: pela degeneração da raça humana passaram a viver até 120 anos e sua capacidade mental se reduziu muito e; por terem passado séculos em meio pagão e idólatra, bem como grande parte daqueles 430 anos como escravos, sem liberdade nem de consciência, se afastaram do amor. Por isso, ou seja, por causa das transgressões, que já se tornaram algo natural aos israelitas, DEUS lhes deu, tanto os Dez Mandamentos quanto a lei cerimonial, bem detalhadas, embora as duas já se praticavam anteriormente, as duas foram praticadas até por Adão e Eva.

Agora algo sobre os benefícios da lei (tanto moral quanto cerimonial) aos israelitas.

Em Romanos 3:1 e 2 diz que foram os israelitas que primeiramente receberam a Palavra, ou, o Antigo Testamento, e isso é algo bem positivo e traz grande benefício. É até um privilégio.

Em Deuteronômios 7:12 a 24 diz que se o povo obedecesse, DEUS os abençoaria na saúde, na produtividade, na felicidade, na proteção e assim por diante.

E em Levíticos 18:20 a 30 se refere a orientações específicas sobre comportamento, que não se devesse fazer, por exemplo, descobrir a intimidade de parentes nem se deitar com animal, nem oferecer os filhos a Moloque, não se deitar homem com homem como se fosse mulher, etc., para não contaminar a terra.

Era naqueles tempos um privilégio importante ser israelita, assim como hoje também é um privilégio ser adventista. Esse privilégio carrega em si uma responsabilidade vital, de estendermos nosso conhecimento ao mundo inteiro, para tornar a vida dos outros melhor, a fim de que também tenham a mesma esperança da promessa dada a Abraão.

 

  1. Quarta: A lei como nosso tutor

O verso de estudo de hoje é apenas um: “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3:24).

Essa palavra “aio” no original grego era “paidagogos ou paedagogus ou ainda paydagogos”, hoje pedagogo, ou, professor. Porém, o significado na época em que Paulo escreveu essa carta não era que a lei fosse um professor, porém, mais que isso. Pedagogo significa um escravo romano, ou livre, bem instruído e qualificado, que chefiava alguns auxiliares no cuidado dos filhos de seu senhor. O senhor geralmente era uma autoridade importante, como o Imperador ou outro subalterno de grande responsabilidade, que queria que seus filhos o substituíssem na carreira. Portanto, esses filhos necessitavam esmerada educação. A lição explica bem esse ponto, convém que leia lá também. Esse pedagogo era uma pessoa que se dedicava exclusivamente para o filho ou filhos de seu senhor. Cuidava de tudo, desde a higiene, alimentação, hábitos diversos, tarefas escolares, passeios, amizades, atividades físicas, etc. Ele fazia relatos a seu senhor de como os filhos estavam se comportando. Inclusive possuía autoridade para repreender os meninos e meninas, até mesmo com surras, se fosse necessário. O senhor confiava no pedagogo, mas também zelava (nem todos faziam isso) para ver se o pedagogo não estava exagerando em alguns pontos. Portanto, o pedagogo romano era responsável por toda formação das crianças, desenvolver nelas a ética da vida, até que chegassem à idade em torno de 18 anos.

Pois bem, a essa responsabilidade Paulo comparou a lei moral, os Dez Mandamentos. Como esse pedagogo, a lei nos conduz, não para no futuro ser semelhantes a JESUS. Na caminhada a lei identifica nossas fraquezas, nossos erros e acertos e as necessidades de correções. Por vezes a lei é dura, ou seja, o autor da lei age com determinação e força, como muitas vezes fez com o povo de Israel em suas aventuras de idolatria e rebeldia. Ainda o autor da lei age assim hoje, com a igreja e com as pessoas individualmente. Com a igreja está prometida uma forte sacudidura para eliminar o joio liberal e retirar a igreja de seu estado de mornidão de Laudiceia.

Diz um ditado latino: “Dura lex sed lex” ou seja, “a lei é dura, mas é lei.” Significa que, por mais dura e severa que possam ser as leis, elas devem ser cumpridas e, para isso, exigem muito sacrifício. Os Dez Mandamentos são um fardo, sim, um fardo leve, pois se resumem em amar a todos, e isso não é pesado, é agradável. É um tanto contraditório para quem, como nós todos, está acostumado a revidar, odiar, vingar, etc; esse precisa mudar de atitude e isso pode ser difícil.

A lei de DEUS foi nos dada para que entendêssemos nossa condição e que aprendêssemos como viver para sermos cidadãos do Reino de DEUS. Nesse sentido ela é uma escola completa, pois os Dez Mandamentos valem-se da Bíblia toda para nos ensinar o suficiente sobre essa cidadania superior, perfeita.

Veja o que faz o fardo (ou jugo) de CRISTO: “Um dia de cada vez nos pertence, e durante o mesmo cumpre-nos viver para Deus. Por esse dia devemos colocar na mão de Cristo, em solene serviço, todos os nossos desígnios e planos, depondo sobre Ele toda a nossa solicitude, pois tem cuidado de nós. “Eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” Jer. 29:11. “Em vos converterdes e em repousardes, estaria a vossa salvação; no sossego e na confiança, estaria a vossa força.” Isa. 30:15.

“Se buscardes o Senhor e vos converterdes cada dia; se, por vossa própria escolha espiritual, fordes livres e felizes em Deus; se, com satisfeito consentimento do coração a Seu gracioso convite, vierdes e tomardes o jugo de Cristo – o jugo da obediência e do serviço – todas as vossas murmurações emudecerão, remover-se-ão todas as vossas dificuldades, todos os desconcertantes problemas que ora vos defrontam se resolverão” (O Maior Discurso de CRISTO, 101, grifos acrescentados).

 

  1. Quinta: A lei e o cristão (Gal. 3:25)

Outra vez o estudo de hoje é de vital importância. Por isso, também outra vez, examinaremos os versos em pauta.

“Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio [lei de DEUS]” (Gálatas 3:25).

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8:1-4).

Quando lemos, ou estudamos a Bíblia, precisamos partir sempre do pressuposto verdadeiro de que uma parte dela não pode contradizer outra parte, nem tão pouco o Novo Testamento pode opor-se ao Antigo testamento. Não é só na Bíblia que é assim, qualquer livro tem esse requisito. Um autor, não pode fazer uma afirmação contrária à outra, num mesmo livro. Se isso acontecesse, pode jogar fora o tal livro, ele seria nulo. Esse é um pressuposto bastante desprezado por muitos tendenciosos especialistas em Bíblia.

Gálatas 3:25 poderia ser entendido, se escrito isoladamente, como defensor da perda da validade da lei para a fé. Mas nem mesmo Paulo, que escreveu esse verso, defende tal ideia em outros textos dele mesmo. Em Romanos 3:31 Paulo pergunta: anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos [confirmamos] a lei. Nem precisamos muita argumentação que o texto de Gálatas não foi escrito para anular a lei. Então, como já estudamos, o que Paulo estava dizendo, era que, pela fé fomos libertos da condenação da lei, por causa da desobediência a essa lei. Sigamos em frente: Em Romanos, Paulo diz que não há mais nenhuma condenação para os que estão em CRISTO.

Logo em seguida, Paulo explica mais um pouco (com suas palavras um tanto confusas, mas que se pode entender bem): “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” A lei do ESPÍRITO é a transformação que o ESPÍRITO vai fazendo em nossa vida, e é evidente que, quando estamos sendo transformados é porque estamos de acordo com a lei de DEUS. Quando obedecemos, essa lei (Dez Mandamentos) protege, não condena. Mas quando desobedecemos, ela torna-se para o pecador uma lei do pecado e da morte, pois daí ela condena por causa do pecado.

No trecho seguinte, Paulo diz assim: “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne…” Era e é impossível à lei perdoar e salvar, ela não tem essa incumbência. A lei, como que ficou enferma por causa do pecado, ou seja, a função nobre da lei é orientar para não ocorrer o pecado, porém, se ele ocorrer, a lei passa a ter uma função estranha, de condenar à morte. Isso é estranho ao caráter de DEUS. Por isso Paulo disse que a lei ficou enferma. “Ficar enferma pela carne” quer dizer que a lei foi chamada a uma tarefa cruel porque o ser humano pecou. Por isso veio o Filho de DEUS que Se fez pecador, e morto pelo pecado, condenou o pecado. No fundo, se tivermos um pouco de paciência, não é difícil de entender as frases de Paulo.

Aí, em Romanos 8:4 vem uma frase surpreendente de Paulo, que elimina todas as dúvidas de interpretação do que ele escreveu antes: “Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” O que ele quer dizer? A justiça da lei se cumpre em nós (por meio de JESUS), que, depois de perdoados e justificados, buscamos obedecer a lei, pois não andamos mais segundo a carne (tempos de pecado), mas segundo o ESPÍRITO, isto é, sendo santificados cada dia um pouco mais.

Finalizando, a lei dos Dez Mandamentos é uma cópia do caráter de DEUS, pois a lei é amor e DEUS também é amor; o amor é seu princípio de vida em tudo. Ora, se a lei fosse revogada seria também revogado o caráter de DEUS. Isso é admissível? Paulo até disse em Romanos 13:10 que “…o cumprimento da lei é o amor” e João diz que “Deus é amor” (1 João 4:8). Mais que o necessário à comprovação da imutabilidade da lei de DEUS, embora se pudessem utilizar muitos outros versículos nesse sentido.

 

  1. Resumo e aplicação Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal

Resumindo a lei: Ela é a lei do amor, que é o caráter de DEUS. Ele quer que Suas criaturas tenham o mesmo caráter, para também terem livre arbítrio, como convém a seres racionais inteligentes. O amor serve como guia para sabermos, com inteligência, o que é correto e o que está errado. Muitos chamam isso de bom senso. Quando o amor é desrespeitado, que é o pecado, o amor é rompido e ocorre uma separação entre a criatura e o Criador, vindo a criatura a envelhecer e morrer eternamente. Pelo mesmo princípio do amor, DEUS providenciou uma alternativa à morte, por meio do perdão, nossos pecados podem ser eliminados e voltamos outra vez ao estado original. Esse perdão só pode ser concedido tendo JESUS assumido nossos pecados e por isso Ele vindo morrer em nosso lugar. Portanto, a lei, ou nesse caso, os Dez Mandamentos, que são uma expansão mais detalhada do amor, serve de guia para não pecar, e se pecar, serve de guia para conduzir ao Salvador, para com o perdão, voltar a obedecer e viver em amor uns com os outros e principalmente com DEUS.

 

  1. Aplicação contextual e problematização

Um dos maiores problemas da humanidade é que o pecador tornou-se afeiçoado pelo pecado. O pecado exerce sobre os pecadores forte fascínio, atração fatal, que dificulta o desejo por alguma outra alternativa. Daí que se constroem explicações falsas, liberais, para viver conforme o pecado, no entanto, tendo a ideia de que será salvo.

 

  1. Informe profético vinculado com a lição

O informe profético dessa semana enfoca sobre a união das igrejas. Seremos breves pois a lição já está bastante longa.

Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, defende em importante evento ecumênico global “que os cristãos de todas as Igrejas podem reconhecer-se plenamente, participar e ser juntos, por toda parte, sementes de paz em um mundo ferido por guerras e divisões.” “Deus quer que toda a família humana seja uma família de irmãos. Se Deus o deseja, este projeto de unidade do gênero humano não pode deixar de se realizar.” Veja a reportagem completa aqui.

Os budistas também estão em diálogo com os cristãos pela unidade dessas religiões. Esse não é o Ecumenismo, mas o Diálogo Inter-religioso. Veja mais aqui e aqui.

“Teve início, neste domingo (02/07), em Bonn, na Alemanha, a reunião anual do Conselho Internacional de Cristãos e Judeus, dedicada aos 500 anos da Reforma Protestante.

“As religiões têm uma dívida de reconhecimento para com os pioneiros da reconciliação”, disse o Presidente da Conferência Episcopal Alemã, Cardeal Reinhard Marx, na abertura do encontro intitulado “Martinho Lutero e os 500 anos de tradição e reforma no judaísmo e no cristianismo”. Veja essa importante matéria aqui.

E agora até o Egito, a rede de televisão Alazhar, com o Vaticano, estão promovendo encontro bilateral em favor da unidade religiosa. Mais um importante evento cumprindo a profecia da união das igrejas e religiões, conforme diz essa reportagem, aqui.

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“Ao render-se Saulo inteiramente ao convincente poder do Espírito Santo, viu os erros de sua vida e reconheceu a amplitude dos reclamos da lei de Deus. Aquele que fora um orgulhoso fariseu, confiante na justificação por suas boas obras, curvou-se então perante Deus com a humildade e simplicidade de uma criancinha, confessando sua indignidade e pleiteando os méritos de um Salvador crucificado e ressurgido. Saulo ansiava por entrar em inteira harmonia e comunhão com o Pai e o Filho; e na intensidade de seu desejo de perdão e aceitação, elevou ferventes súplicas ao trono da graça.

“As orações do penitente fariseu não foram em vão. Os mais secretos pensamentos e emoções de seu coração foram transformados pela divina graça; e suas nobres faculdades foram postas em harmonia com os eternos propósitos de Deus. Cristo e Sua justiça passaram a representar para Saulo mais que o mundo inteiro” (Atos dos Apóstolos, 119 e 120).

 

  1. Conclusão

Não somos salvos pela lei, nem isso seria viável, seria ilógico. A lei tem por objetivo evitar que alguém erre, mas se errar, a lei tem por objetivo fazer saber que precisa de um Salvador, e se não quiser o Salvador, tem por função condenar à morte. Por sua vez, outro deveria morrer em lugar de quem errou e assim cometeu pecado. Assim se viabilizou o escape da condenação da lei pela fé em quem morreu por nós.

 

Assista o comentário clicando aqui

Lição em espanhol: www.escuela-sabatica.com/comentarios.html

Vídeos sobre capítulos proféticos da Bíblia, em linguagem simples
Daniel 2 Daniel 3 Daniel 7 Daniel 8 Daniel 9 Daniel 12 Apoc. 12
Apoc. 13 1ªp Apoc. 13 2ªp Apoc. 14 Pragas 1ª p

(Apoc. 15, 16)

Pragas 2ªp Armagedom Pragas 3ªp

Armagedom

Os chifres
A igreja verdadeira Como é fácil enganar! As 4 primeiras pragas, enfoque econômico

 

estudado e escrito entre  01 e 06/07/2017

revisado por Jair Bezerra

 

 

Declaração do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

 

1 comment for “Lição 7 – O caminho para a fé

  1. julho 16, 2017 at 3:57 pm

    Ótimo, muito bom este conteúdo que Deus abençoe a sua vida em nome de Jesus.

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